Política

JOGO ÁRDUO

Atrás na corrida, Tebet publica carta aberta aos senadores para viabilizar sua eleição

Tebet havia itensificado críticas ao governo deferal, agora tenta conversar os senadores a importância da independência do Poderes da República

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A senadora Simone Tebet (MDB) publicou uma carta aberta levantando posicionamentos para viabilizar sua candidatura a presidente do Senado Federal. No texto, Tebet tenta se colocar como uma candidata que preza a harmonia e independência entre os três Poderes, tentando fugir da ideia de ser oposição do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Nos últimos dias a senadora vem perdendo força na corrida pela chefia da Casa. Seu adversário, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem a preferência do Planalto, além de ter conseguido aglutinar a maioria dos senadores dos maiores partidos de esquerda no Senado, PT e PDT.  

Além disso, também tem a preferência da maioria dos senadores tucanos. No texto, Tebet afirma que sua candidatura nasceu da percepção da necessidade de independência do Senado.  

“A construção da minha campanha à presidência nasceu da percepção da bancada do MDB de que a independência harmônica do Senado Federal com os demais Poderes é pilar essencial para o fortalecimento do Poder Legislativo e do Estado democrático de Direito. O momento exige equilíbrio, respeito às leis e à Constituição, além de um esforço conjunto, de todos, para que possamos sair o mais rápido possível dessa crise sanitária, econômica e social”, explicou.

Em visita a Campo Grande, com o candidato à presidência da Câmara Baleia Rossi (MDB-SP), a senadora tinha aumentado a temperatura em relação às críticas ao governo Bolsonaro, principalmente em condução à crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19.

Um gesto que poderia ser interpretado como uma estratégia de convencer o partido de oposição ao presidente. Porém, com a derrocada em tentar aglutinar esses partidos em prol a sua candidatura, a senadora passou a usar a estratégia de tentar convencer a ala mais de centro, que tem em seu escopo, pautas como o combate à corrupção e a agenda de reformas, travada no Congresso Nacional.  

Esse posicionamento mais ao centro, fica clara nessa carta aberta aos parlamentares. O país precisa da nossa firmeza, bom senso e espírito público. Precisamos unir forças nesta reconstrução do Brasil, a começar pelo apoio incondicional ao Plano Nacional de imunização de todos os brasileiros contra a Covid 19. A gravidade da situação também exige que avancemos com as reformas que alavancarão o desenvolvimento, geração de emprego e renda, aliando nossa responsabilidade social com a devida responsabilidade fiscal”, enumerou.  

E finalizou dizendo que “essa é a grande e árdua missão do Congresso Nacional. Apresento-me, assim, perante as senhoras e senhores senadores como candidata à Presidência do Senado, com o compromisso de priorizar o diálogo, democratizar a deliberação das nossas pautas, ampliar representatividade do colégio de líderes e respeitar as prerrogativas de cada uma das senadoras e dos senadores desta Casa. O Brasil dependerá da grandeza de nossos gestos. Estamos todos os prontos, porque o Brasil está em nós.”

ANO ELEITORAL

Flávio Bolsonaro quer vice mulher após briga com Michelle; 'página virada'

Filho do ex-presidente disse ter ligado para convidá-la pessoalmente a uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que o gesto "não foi correspondido"

27/06/2026 20h00

 fala se dá após desavenças públicas com Michelle Bolsonaro que, na quarta-feira, 24, publicou um vídeo de quase 30 minutos no qual relata ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio.

fala se dá após desavenças públicas com Michelle Bolsonaro que, na quarta-feira, 24, publicou um vídeo de quase 30 minutos no qual relata ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio. Reprodução

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Senador do Partido Liberal pelo Rio de Janeiro (PL-RJ), Flávio Bolsonaro retomou o tom apaziguador ao falar em união e em deixar "pequenas diferenças de lado" durante discurso neste sábado, 27, em evento de lançamento de candidaturas do PL, em Goiás, para as próximas eleições.

Pré-candidato à Presidência, ele sinalizou ainda seu interesse em ter uma vice mulher na disputa eleitoral.

A fala se dá após desavenças públicas com Michelle Bolsonaro que, na quarta-feira, 24, publicou um vídeo de quase 30 minutos no qual relata ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio.

"É muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado, porque muitas vezes os caminhos que nós escolhemos são diferentes, mas para chegar no mesmo destino, para alcançar o mesmo objetivo", disse o senador e pré-candidato à Presidência da República.

Na noite anterior, ainda em Goiás, Flávio Bolsonaro falou em "bola pra frente" e disse que o embate era "página virada" ao responder perguntas de jornalistas após uma caminhada religiosa. Ele disse ainda que havia conversado com o pai, Jair Bolsonaro, e que estava "tudo bem".

"Para ficar bem claro, da minha parte aqui, é bola pra frente, é página virada", disse Flávio, que fez referência a uma blusa que vestia na cor branca: "Vim aqui com a blusa branca, da paz, pra olhar pra frente".

No evento deste sábado, Flávio ainda reforçou o interesse em contar com uma mulher para integrar a sua chapa presidencial como candidata à vice-presidente.

Na declaração, o senador fez menção a Ana Paula Rezende, vice na chapa de Wilder Morais (PL), cuja pré-candidatura ao governo de Goiás foi lançada no ato. "O Wilder é uma pessoa privilegiada de ter ao seu lado uma mulher tão qualificada como a Ana Paula. Eu peço a Deus, Ana, que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada quanto você", disse Flávio.

Vídeo gera mal estar na campanha

O vídeo de Michelle Bolsonaro gerou desgaste na campanha de Flávio. Na gravação, Michelle disse que Flávio a humilhou durante uma ligação. O senador teria dito que "seria melhor" que a ex-primeira-dama ficasse "de fora das decisões do partido".

"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", afirmou Michelle.

O embate entre madrasta e enteado relatado no vídeo teria sido motivado após Michelle ter criticado publicamente a decisão do diretório cearense do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado.

Outro fator que teria motivado a gravação do vídeo seria uma suspeita dela de que os "ataques" que sofria de comunicadores próximos aos irmãos Bolsonaro, como Paulo Figueiredo, Kim Paim, Allan dos Santos e Didi Redpill, seriam obra dos enteados.

Respostas de Flávio

A primeira resposta de Flávio veio na quarta-feira, em uma transmissão ao vivo pouco antes do jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo, às 19h. Ele procurou menosprezar o confronto. Por ser dia de jogo da Seleção Brasileira, afirmou que "nada nem ninguém" o aborreceria. Também disse se sentir "mais confiante" e "mais preparado" para a pré-candidatura à Presidência.

Já à noite, por volta de 23h, Flávio Bolsonaro mudou o posicionamento. Em uma longa nota, negou ter desrespeitado ou humilhado Michelle, e pediu desculpas. "Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas", disse.

No texto, o senador invocou a família, os 24 anos de vida pública e o "equilíbrio" como supostas marcas de seu caráter, e disse ter "respeito e reconhecimento" pela madrasta.

Flávio também tentou virar o argumento contra ela: afirmou ter ligado na manhã daquela quarta-feira para convidá-la pessoalmente a uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que o gesto "não foi correspondido". Segundo Flávio, Michelle não atendeu, não retornou a ligação e, horas depois, publicou os vídeos.

Na quinta-feira, 25, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo relendo o posicionamento que havia publicado na véspera. No entanto, com uma diferença: suprimiu o trecho em que afirmava ter ligado para Michelle na manhã de quarta-feira.

Ainda na quinta-feira, Michelle Bolsonaro voltou a se pronunciar Ela publicou novo texto nas redes sociais, no qual disse que "não há briga nem competição".

"Não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Não há briga nem competição", escreveu, pedindo que não retirassem trechos de contexto "para gerar confusão".

 

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CRISE NA DIREITA

Vídeo de Michelle Bolsonaro não deve alterar estratégia eleitoral do PL em MS

Presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja defende a união da sigla para enfrentar Lula no pleito deste ano

27/06/2026 08h30

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no vídeo em que fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no vídeo em que fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro Reprodução

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A crise envolvendo a ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, mobilizou a direção nacional do partido, mas, em Mato Grosso do Sul, a avaliação é de que o episódio não deve provocar mudanças na estratégia eleitoral para as eleições deste ano.

Em entrevista ao Correio do Estado, o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL e pré-candidato a senador da República, informou que aqui não vai ter mudança nenhuma. 

“Não vamos nos meter nessa história e acredito que eles vão se resolver dentro de casa, pois o nosso adversário está lá fora e precisamos estar unidos para derrotá-lo”, afirmou, referindo-se ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Azambuja ainda revelou à reportagem que as primeiras informações que chegaram até ele diretamente da executiva nacional do PL é que Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro já estariam se entendendo.

O entendimento do presidente estadual do PL é que o desgaste ocorre em âmbito nacional e está relacionado à definição da campanha presidencial, sem reflexos diretos na organização das candidaturas e alianças já em construção no Estado.

No entanto, a repercussão levou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a antecipar seu retorno dos Estados Unidos para tentar conter o conflito, sendo que para isso pretende reunir Michelle e Flávio para encerrar o impasse.

“Eu tenho que conversar com a Michelle chegando e com o Flávio. Nós temos que acertar isso aí, porque, se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa. Vamos ter que acertar”, declarou em entrevista para a imprensa nacional.

Segundo o dirigente, a situação é considerada séria por envolver duas das principais lideranças do campo bolsonarista. Valdemar também ressaltou a importância política de Michelle para o partido e demonstrou preocupação com possíveis reflexos da crise na disputa presidencial.

O atrito ganhou dimensão pública, após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais afirmando ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro durante uma conversa por telefone. 

O desentendimento teve origem nas divergências internas sobre a articulação do PL no Ceará, onde parte dos aliados defende uma aproximação com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), movimento criticado pela ex-primeira-dama.

Após a repercussão, Michelle voltou às redes sociais para minimizar o episódio. Ela afirmou que “não há briga nem competição” entre aliados e disse que seu objetivo foi apenas esclarecer uma situação que estaria sendo interpretada de forma equivocada.

Também pediu que suas declarações não fossem retiradas de contexto e defendeu a união da direita para as eleições.

Flávio Bolsonaro adotou o mesmo tom, afirmando que o campo conservador precisa permanecer unido e destacando que Michelle terá papel relevante na campanha presidencial.

* Saiba 

A executiva nacional do PL estaria agendando um encontro entre Michelle e Flávio em um evento da campanha voltado para mulheres, marcado para quarta-feira.

Na ocasião, ambos devem ser vistos com sorrisos largos e em um clima de que está tudo superado.

A partir daí, será “bola para frente”. As estratégias de comunicação, no entanto, não darão conta de tudo. Esse imbróglio depende também de uma série de acertos políticos com outros personagens relevantes.

E o mais importante deles é o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não se pronunciou sobre tudo isso. A palavra dele será fundamental para saber como essa briga termina.

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