A morte de 11 bebês por infecção em menos de um mês e meio acionou o alerta no Hospital Regional da Asa Sul, em Brasília, referência em obstetrícia e pediatria na rede pública da capital. Na unidade, o limite de morte considerado "aceitável" é de três bebês por mês.
Os bebês eram prematuros ou com má-formação. Estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Ontem, havia 10 bebês isolados na unidade igualmente contaminados. O número corresponde à terça parte da capacidade da UTI.
Por ora, nenhuma morte foi atribuída à superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC). "Com certeza, não é a nova superbactéria, pelo menos até hoje não", disse o diretor do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), Alberto Henrique Barbosa. "Mas acendeu a luz amarela", acrescentou.
Já foram identificados casos de infecção por KPC em sete Estados e no Distrito Federal. Segundo o balanço mais recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, pelo menos 42 pessoas teriam morrido em decorrência da superbactéria apenas no Distrito Federal e em São Paulo, desde meados do ano passado.
Os exames revelaram que os bebês mortos no HRAS teriam sido infectados pelas bactérias Estafilococos, Serratia e Klebsiella, essa última uma espécie de parente da KPC, mas que não é resistente a antibióticos.
Infecção. O diretor disse que o alerta foi acionado na última quarta-feira, quando o hospital somou 11 mortes de bebês por infecção, contadas a partir do início de outubro. Desde então, o hospital passou a seguir recomendação da comissão de controle de infecção hospitalar da Anvisa.
Ontem, questionada pelo Estado, a agência não se manifestou.
Entre as medidas adotadas está a redução dos atendimentos. O funcionamento está restrito aos casos mais graves, como bebês com peso inferior a um quilo. A UTI neonatal manteve no período em que foram registradas as mortes de bebês uma lotação entre 36 e 38 pacientes, acima do limite, de 30 bebês. "É complicado, porque não temos como fechar a porta da UTI", disse o diretor.
Mas esse não era o único nem o principal problema detectado no hospital. Também faltava material de uso rotineiro, além de pessoal.
Referência. "Algumas exigências do protocolo não estavam sendo cumpridas, e não é só a questão da superlotação", afirmou Barbosa. Não se cogitou de fechar a unidade, considerada referência na capital federal.
De acordo com o diretor do hospital, é elevada a taxa de mortalidade da UTI neonatal - quase um bebê por dia. Mas as mortes não estão associadas a infecções, como aquelas que foram registradas em número crescente a partir de setembro.
"O aceitável é até três mortes por mês por infecção", completou Barbosa.