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Ficar de mau humor por muito tempo é sinal de doença

Ficar de mau humor por muito tempo é sinal de doença

Redação

13/12/2010 - 18h46
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A fama de chato, mal-humorado ou reclamão pode indicar mais do que um aspecto de comportamento, são sintomas de uma doença cada vez mais estudada por psiquiatras: a distimia.

Mais conhecida como a doença do mau humor, a medicina a classifica como um transtorno com sintomas muito parecidos com os da depressão, só que mais prolongados.

O distímico geralmente é aquela pessoa que vive mal humorada, reclamando da vida, sempre com uma postura muito pessimista e crítica sobre tudo. É comum ela ter picos de irritabilidade, tristeza, desânimo e uma falta de energia fora do normal, explica o psiquiatra Taki Cordás, do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), autor de um livro sobre o assunto.

O comportamento arredio do distímico tende a aumentar com o tempo, já que seu mau humor afasta as pessoas, tornando-o um ser isolado e cada vez mais negativo.

- A distimia é uma depressão crônica e pode ser muito precoce. As pessoas confundem com personalidade depressiva, quando na verdade não é um transtorno de personalidade. Ela está atrelada a vida, não a situações de momento.

Não se sabe ao certo o que a desencadeia a doença. Ela pode ter início na infância ou na adolescência, como boa parte dos quadros psiquiátricos, e se agravar na idade adulta. Mas não deve ser confundida com sensações de mau humor repentinas, que são baseadas em situações, reforça o especialista. A doença tende a acometer mais as mulheres, que também sofrem mais de depressão do que os homens, mas não há números que comprovem.

Parentesco com a depressão

Para se chegar a esse diagnóstico, a pessoa deve ser avaliada por um psiquiatra, pois assim como na depressão, não é possível detectá-lo por meio de exames.

Tratamento
Diante das semelhanças entre distimia e depressão, a medicina concluiu que boa parte dos mau humorados crônicos podem se beneficiar do tratamento dado aos depressivos. Após a confirmação do diagnóstico, o distímico deve ser tratado com remédios antidepressivos aliados a sessões de psicoterapia por um longo período de tempo.

A maior dificuldade nessa jornada pela cura, no entanto, é garantir a adesão ao tratamento. Como o paciente vive anos dessa maneira, dificilmente se acha doente e não procura um especialista. Seu perfil apático e cínico também não ajuda, já que tende a não acreditar nessa possibilidade.

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