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DNA culpado

Cientistas encontram gene ligado ao consumo de álcool

Cientistas encontram gene ligado ao consumo de álcool

Redação

04/04/2011 - 21h34
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Cientistas identificaram um gene que aparentemente influencia no quanto alguém consome de álcool, aponta estudo com mais de 47 mil pessoas publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O achado poderá ajudar no entendimento do comportamento das pessoas que bebem e têm dificuldade em deixar o álcool.

O gene, chamado "candidato 2 de suscetibilidade autista" (AUTS2), foi anteriormente, como o nome sugere, ligado ao autismo e ao distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade, mas não se sabe ao certo qual é a sua função.

Este estudo, conduzido por cientistas do Imperial College London e da King's College London, revelou que há duas versões do gene AUTS2, um deles é três vezes mais comum que o outro. Pessoas com a versão menos comum bebe cerca de 5% menos bebida alcoólica do que as demais. O gene é mais ativo em partes do cérebro associados com o mecanismo neuropsicológico de recompensa.

Já se sabia que os genes tinham um papel neste processo, mas único conhecido por fazer uma contribuição no quanto as pessoas bebem era o gene de codificação da desidrogenase, enzima que quebra as moléculas de álcool no fígado.

"Claro que há vários fatores que afetam quanto de álcool um pessoa bebe, mas sabemos que os genes desempenham um papel importante. A diferença que este gene em particular faz é pequena, mas descobrindo isto nós abrimos uma nova área de pesquisa nos mecanismos biológicos de controle do consumo de bebidas alcoólicas", disse o professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública da Imperial College London.

Os pesquisadores analisaram amostras de DNA de mais de 26 mil voluntários procurando pelo gene que aparentemente afeta o consumo de álcool, e depois verificaram os achados com as descobertas em outras 21 mil pessoas. Os voluntários reportaram o quanto beberam por meio de questionários.

Uma vez identificado o AUTS2, foi examinado o quanto do RNA mensageiro, uma cópia do código genético usado na produção de proteína, estava presente em amostras de tecido cerebral doados para a pesquisa. A equipe então descobriu que aqueles que tinham a versão do gene associada com o baixo consumo de álcool produz mais RNA mensageiro, o que significa que o gene é mais ativo.

Os pesquisadores também investigaram cepas de camundongos que foram escolhidos de acordo com o quanto de álcool consumiam voluntariamente. Eles descobriram que havia diferenças nos níveis de atividade dos genes AUTS2 entre as diversas raças que ingerem mais ou menos álcool. Uma observação em gene relacionado em moscas das frutas também foi levado em consideração e mostrou que o AUTS2 influencia o consumo de álcool em várias espécies.

"Nestes estudos nós combinamos pesquisas genéticas com investigação do comportamento animal. Como as pessoas bebem por motivos diferentes, entender o comportamento influenciado pelo gene nos ajuda a entender a base biológica destes motivos. Este é um passo importante em direção ao desenvolvimento da prevenção individual e tratamento para o alcoolismo, avalia o professor Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College London.

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