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Renda aumenta o consumo de frutas e verduras, mas também de alimentos gordurosos

Renda aumenta o consumo de frutas e verduras, mas também de alimentos gordurosos

Redação

28/07/2011 - 21h00
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Arroz, feijão e carne podem ter vários nutrientes, mas não garantem qualidade alimentar. A população sabe onde erra na hora de servir o prato e mesmo com o aumento dos salários, isso não é garantia de uma alimentação mais saudável.

João Evangelista Soares, 53 anos, come arroz, feijão e carne todos os dias, mas a falta de alface e tomate no prato faz com que o manobrista classifique como "péssima" a qualidade da própria alimentação.

Já a administradora Fabiana de Souza, 23 anos, ignora o trio indispensável para Soares, mas não dispensa frutas e saladas do cardápio diário. Ela, porém, não resiste ao chocolate após o jantar. Por causa do doce – e da falta de disciplina para se alimentar – Fabiana acredita que "horroroso” é o adjetivo mais cabível para classificar suas refeições.

João e Fabiana (ele ganha menos de R$ 1.100 mensais; ela tem renda superior a estes dígitos) acertam ao classificar como ruins suas dietas e confirmam as estatísticas encontradas por uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Chamado de Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, o estudo foi divulgado nesta quinta-feira, dia 28, e mostra que ganhar salário maior não significa enriquecer a qualidade da alimentação.

Os resultados foram divididos por faixa-etária, sexo e renda, com base em informações coletadas em todas as regiões do País (foram quase 14 mil domícilios pesquisados entre os anos 2008 e 2009). Ao mesmo tempo em que os mais abastados financeiramente comem mais frutas, verduras, leites e derivados, eles também capricham mais no junk food e outros itens prejudiciais à saúde, como cerveja e destilados.

Já as pessoas com menor renda, consomem em maior quantidade vários itens considerados como parte de uma dieta saudável, como arroz com feijão, peixe fresco, peixe salgado e carne salgada. Esta classe econômica, por exemplo, consome o dobro de batata-doce (um carboidrato considerado do bem) – do que os com renda maior. Já quando a avaliação é sobre cereais e pães integrais (ótimos para a saúde cardiovascular), os mais ricos consomem 8 vezes mais.

Um total de 1.121 itens alimentares foram citados pelos participantes e a qualidade nutricional consumida pelos brasileiros também foi avaliada. Como há ausência de grãos integrais e hortaliças no prato dos que têm menor renda e excesso de doces, pizzas e refrigerantes na dieta de quem tem salário maior, o resultado é que o Brasil foi reprovado na qualidade nutricional como um todo.

Veja a comparação do consumo de alimentos entre os mais ricos* e mais pobres**

*renda acima de R$ 1.069
** renda entre R$ 296 e R$ 571
 

Com informações do Ig

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