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Gentileza teria fundamentos genéticos, sugere estudo

Gentileza teria fundamentos genéticos, sugere estudo

Redação

18/11/2011 - 22h30
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Pessoas dotadas de um certo traço genético são mais gentis e carinhosas do que as demais, e esta característica pode ser rapidamente identificada por estranhos, revelou um estudo publicado nos Estados Unidos, na segunda-feira (14).

Esta variação é relacionada com a ocitocina, gene receptor também conhecido como "hormônio do amor" porque costuma se manifestar nas relações sexuais e incita comportamentos sociais como união e empatia.

Cientistas da Universidade do Estado do Oregon desenvolveram um experimento com 23 casais --cujos traços genéticos eram conhecidos dos pesquisadores, mas não dos observadores--, que foram filmados.

Pediu-se a um dos membros do casal que contasse ao outro sobre um período de sofrimento de sua vida. Os observadores deviam observar o ouvinte por 20 segundos, com o som desligado.

Na maior parte dos casos, os observadores puderam identificar quais ouvintes tinham o "gene da gentileza" e quais não, revelou a pesquisa, cujos resultados foram publicados na edição da publicação "PNAS".

"Nossas descobertas sugerem que até mesmo a variação genética mais sutil pode ter impacto tangível no comportamento das pessoas, e que estas diferenças comportamentais são rapidamente notadas pelos demais", explicou o principal autor do estudo, Aleksandr Kogan, estudante de pós-doutorado da Universidade de Toronto.

Diferenças

Nove entre 10 pessoas, consideradas "menos confiáveis" pelos observadores neutros tinham a versão A do gene, enquanto seis entre os 10 considerados os "mais pró-sociais" tinham o genótipo GG.

Os participantes da pesquisa foram testados antecipadamente e identificados como detentores dos genótipos GG, AG ou AA para a sequência de DNA do gene receptor de ocitocina (OXTR).

As pessoas com duas cópias do alelo G foram geralmente consideradas mais empáticas, confiáveis e amorosas.

As dotadas dos genótipos AG ou AA tenderam a dizer que se sentiam menos confiantes de modo geral e menor sensibilidade parental.

Pesquisas anteriores demonstraram que estes indivíduos também apresentavam um risco mais elevado de desenvolver autismo.

"Nosso estudo questionou se estas diferenças se manifestam em comportamentos rapidamente detectáveis por estranhos, e demonstrou que são", explicou.

No entanto, nenhum traço genético pode prever totalmente o comportamento de uma pessoa e é necessário fazer mais pesquisas para descobrir como esta variação afeta a biologia comportamental.

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