É fato, as grandes estrelas da CES deste ano foram os smartphones - mais até que os tablets, que estiveram um tanto "apagados". Todavia, se não as estrelas da festa, os Ultrabooks - notebooks leves e finos com bom poder de processamento - foram coadjuvantes de respeito.
O ocaso dos netbooks, cujo mercado entrou em colapso com o advento do iPad (e consequentes tablets com Android) há não mais que dois anos, em janeiro de 2010, levou os grandes da indústria a reposicionarem seu "notebook de entrada". Depois de alguma resistência, capitularam e desenvolveram algo parecido com o MacBook Air, também da Apple.
Seguindo os passos do Air - de uma forma ou de outra
É claro que, depois da negação (durante o reinado dos netbooks) os fabricantes Wintel fatalmente passariam a copiar o MacBook Air. E foi o que mais se viu - não apenas no visual e formas, mas nos conceitos e tecnologias. Ao que parece os advogados da Apple terão muito trabalho este ano, já que diversos modelos são cópias deslavadas do design de Jonathan Ive.
Por exemplo, a Acer apresentou um modelo, o Aspire S5, considerado o mais fino Ultrabook já fabricado - apenas 15 mm, 2 mm mais fino que o da Apple. Foi anunciado (em um comunicado de imprensa) no dia 8, antes do início da CES, mas estava lá na feira também. Seu peso, 1,3 kg, também rivaliza com os dos netbooks e do MacBook Air. Vale lembrar que a Acer havia anunciado na IFA de 2011, e ainda mais fino (13 mm), outro ultra-compacto chamado de S3, mas que não deu as caras nas prateleiras.
Além do visual - que se não é idêntico, lembra bastante o concorrente de Cupertino - o S5 vem com uma porta Thunderbolt para conexões mais rápidas com periféricos. Como se sabe, a tecnologia Thunderbolt foi desenvolvida pela Intel com parceria da Apple. Se isso irá (ou não) gerar atritos, só o tempo dirá. Mas é bem provável.
O Dell XPS 13 marca a volta do fabricante ao mercado de ultracompactos depois da morte dos netbooks. A linha XPS, sempre usada pela empresa para seus modelos mais potentes, portáteis e de design sofisticado, cai como uma luva no conceito Ultra. O processador é de encher os olhos, um Core i7, mais 4 GB de memória (poderiam ser 8, né, Dell?) e o onipresente SSD de 256 GB.
Efusivamente esportivo, e com configuração melhor que a do MacBook Air, será um competidor e tanto, já que custa quase a mesma coisa e tem tela maior. A tela de 13 polegadas (com uma resolução de 1366 x 768) é protegida com o já icônico vidro Gorilla Glass, ostensivamente usado por suas concorrentes LG, Motorola e Samsung.
A Samsung, que está no pé da Apple por conta da briga Galaxy Tab x iPad (e Galaxy S x iPhone), também não ia ficar de fora do banquete dos Ultrabooks. Para isso, pôs na rua o bloco do Samsung Series 9, com seu corpo de alumínio preto e tela de 1600 x 900 pixels.
A Hewlett Packard, depois do fiasco do ano passado com o TouchPad, resolveu dar um tempo nos tablets e aproveitar a onda dos Ultrabooks ¿ afinal, de PC a empresa entende. E caprichou: o HP Envy 14 Spectre tem tecnologia de áudio sem fio - faz streaming para até quatro aparelhos de som - e chip NFC (Near Field Communication, ou comunicação em campo próximo, na tradução), que permite trocar dados facilmente com outros dispositivos que estejam por perto.
Como o próprio nome já diz, a tela tem 14 polegadas - mas foi "enfiada" numa estrutura de notebook de 13, portanto ainda recaindo a classificação de Ultrabook. A tela é protegida com um vidro Gorilla Glass. O resto é feijão-com-arroz: Core i5 Sandy Bridge, 8 GB, 256 GB SSD. Só o preço é que vai ser mais salgado: como a HP considera o produto como "premium", vai custar na casa dos US$ 1.400 quando chegar nas prateleiras americanas em 8 de fevereiro.
Tablets? Não senhor, Tablet PCs
Lembra dos Tablet PCs? Aqueles notebooks "normais" que possuíam uma tela de toque e que você poderia "torcer" para cobrir o teclado com eles, transformando-os em uma "prancheta" eletrônica? O conceito, moribundo em 2008 por seu alto custo e peso, teve nos "tablets não-pc" com Android e o iPad os últimos pregos no caixão - naquela encarnação. Com os Ultrabooks, o problema do peso e da espessura acabou, então por que não "reencarnar" essa ideia, que não era lá tão ruim asim?
É (quase) o caso do Toshiba Portegé M930. Pilotado pelo Windows 7 (por enquanto), é equipado com um processadro Core i5, 4 GB de RAM e um disco rígido de estado sólido (SSD) de decentes 256 GB. Não que seja muito diferente da maioria dos ultrabooks por aí, mas o inteligente sistema de dobradiças da tela é um grande trunfo: o LCD de 13" (1280 x 768) pode ser voltado para o usuário, como num notebook comum, para a parte de trás, transformando-se num painel de apresentação em pé, ou escondendo o teclado, transformando o M930 em um "quase-tablet".
Um tablet meio grosso e pesado demais (quase 2 kg), mas não deixa de ser bacana. E o "quase" é por um detalhe: a tela não é exatamente de toque (os dedos não funcionam nela), mas a canetinha fornecida funciona muito bem. Só não espere usar esse conjunto (Windows 7 + canetinha) como o iPad, não vai rolar. Não há previsão para lançamento, nem preços sugeridos. Ah, sim: a maravilha não tem trackpad, mas sim um incômodo "trackpoint" no cantinho.
Outro pretendente que deu as caras foi o festejado Lenovo Yoga, que é uma mistura de Ultrabook com tablet. Não tem um sistema de dobradiças tão bacana como o Toshiba, mas é interessante: a tela não para de abrir. Vai abrindo, abrindo, abrindo até cobrir o fundo. Ou seja: em configuração tablet, o teclado não fica protegido ¿ pelo contrário, fica "arranhando na mesa" se você largá-lo numa superfície. Talvez um ponto fraco. Mas, por outro lado, permite deixar a tela "em pé" (ou, como a Lenovo chama, "modo tenda") quando dobrado como um cavalete. É por se contorcer tanto, aliás, que ele foi batizado de Yoga.
Ao contrário do Portegé, é fino (17 mm), mais leve (1,4 kg) e a tela é multitouch - responde a todos os dez dedos simultaneamente. Sua resolução é maior que a do Toshiba (1600 x 900) e o processador é um Core i7 Sandy Bridge. 8 GB de RAM e o manjado SSD de 256 GB completam o pacote. O Ultrabook da Lenovo deverá ser lançado em conjunto com o Windows 8, daqui a alguns meses, com preço estimado de US$ 1.200.
Netbooks: náufragos, mas ainda vivos
Apostando ainda nos minúsculos netbooks (lançados um ano antes, em 2007, pela ASUS), portáteis simples demais que serviam apenas para acessar a internet, eles deixaram a porta aberta para que a Apple crescesse e se tomasse de assalto o mercado de notebooks ¿ o que fez não só com o Air, mas com os simpáticos e não tão caros MacBooks brancos.
Não é de se espantar que não foi visto nenhum netbook na CES de 2012 - dois sobreviventes chegaram a ser anunciados antes da feira, mas ninguém prestou atenção: o EeePC Flare, da ASUS - que aliás, foi a inventora do formato - e o Gigabyte T1006M. Mas, excetuando-se os dois raros exemplares, eles realmente sumiram do mapa - e o T1006M, com sua tela touchscreen que gira e "cobre" o teclado, está mais para tablet disfarçado de netbook.
Intel endossa o formato Ultrabook
Quando o MacBook Air apareceu - com processador Intel, diga-se -, parte do público ficou encantado e parte torceu o nariz. Lançado originalmente em 2008, o conceito de um notebook leve e fino, sem drive óptico, com um teclado de tamanho normal e tela de 13 polegadas, mas com potência computacional "normal", deixou os fabricantes de PCs - que apostavam nos simplórios netbooks - intrigados e, por que não dizer, horrorizados.
Com o apoio irrestrito da Intel, a CES 2012 foi um grande palco para o anúncio de diversos protótipos. Apresentado em maio do ano passado na Computex, o conceito do Ultrabook é de conseguir uma performance excelente - próxima ou igual à de qualquer notebook "normal" - em um portátil de pequenas dimensões, com tela de até 13 polegadas, fino e leve. Ou seja: tudo o que o MacBook Air já era em 2008 - inclusive caro.
A maior crítica é quanto à etiqueta de preço - não necessariamente abaixo dos mil reais e longe dos preços dos netbooks e tablets (abaixo dos US$ 500). Vale dizer que os preços são a maior fonte de críticas de cabeça para a Intel, por não criar uma alternativa de baixo custo (ou sua própria plataforma de tablets) no lugar dos moribundos netbooks.
A principal diferença entre eles e o MacBook Air é que esses novos Ultrabooks - foram cerca de 20 Ultrabooks apresentados nos quatro dias da feira - virão com o Windows 8 instalado, ou com "voucher" para upgrade (gratuito ou não) do Windows 7. Alguns modelos, inclusive, foram usados pela Microsoft em seu discurso de abertura da CES 2012, como o da Portege M930, daToshiba.
Com preços pairando ao redor de US$ 1 mil (o mesmo do MacBook Air de 11 polegadas - lembre-se de que têm telas de 13), e mesmo em meio às críticas, os Ultrabooks prometem ser a sensação do ano de 2012. E no que depender da Intel, eles serão muito mais do que uma febre passageira.