Os casos de câncer no Brasil podem chegar a 520 mil neste ano, segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva). Os altos números assustam, mas podem se tornar bem menores com uma série de precauções que você mesmo pode ter. Em São Paulo, o Estado com maiores índices, o Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo) investe em educação para resultados a longo prazo.
“Cartilhas e palestras em escolas fazem parte de ações do Estado para alertar os jovens. Alimentação saudável e redução à exposição ao sol, por exemplo, são hábitos que garantem a saúde”, explicou a coordenadora da Oncologia Clínica do Icesp, Maria Del Pilar Estevez. De acordo com ela, com esse tipo de medidas, é possível diminuir, em dois anos, até 30% dos casos.
Entre os tipos da doença que os brasileiros mais enfrentarão este ano estão o câncer de pele (cerca de 140 mil), de próstata (60.180) e de mama (52.680).
Pele
O câncer de pele é o mais incidente no país. As altas temperaturas e sol forte, típicos do Brasil, são agravantes no número de casos. A única forma de ficar longe das estatísticas, de acordo com especialistas, é investir na prevenção.
“É preciso evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h. Para quem trabalha debaixo dele é indicado usar chapéus, roupas que protegem a pele, protetor solar e óculos de sol”, explicou o técnico da Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica do INCA, Arn Migowski. Segundo ele, para quem tem a pele mais clara, os cuidados precisam ser redobrados.
O especialista alerta que prestar atenção a sinais na pele é importante. “Antes de ir a um dermatologista, o indivíduo deve ficar atento a pintas que descamam, que mudam de cor e tamanho, feridas que não cicatrizam e lesões maiores”.
Embora o câncer de pele seja o mais característico dos brasileiros, ele também é um dos que menos levam à morte. Isso porque a maior parte dos casos (134.170) é não melanoma. “Este é o tipo mais comum e menos agressivo. O tratamento é mais simples também”, explicou Migowski.
Próstata
O câncer de próstata, com relação à prevenção, não é consenso entre os especialistas. De acordo com a coordenadora da Oncologia Maria Del Pilar, “a única unanimidade é a visita ao urologista, mas a necessidade também precisa ser avaliada”, disse.
O exame de rastreamento – o famoso check up – não é recomendado. “Às vezes a detecção precoce pode levar o paciente a tratamentos que não valem a pena. É importante que o médico prescreva esses exames quando há sintomas”, alertou o oncologista do Inca, Migowski.
Ao contrário do câncer de pele, a doença na próstata tem uma relação maior ao avanço da idade e a fatores genéticos. “Não podemos dizer que a alimentação influencia muito, embora estudos apontem o tomate como um bom alimento para prevenção”, completou Migowski.
Mama
O tipo de câncer mais incidente entre as mulheres pode, sim, ser prevenido. Diferentemente da próstata, para os homens, os check ups com direito a mamografia e ultrassonografia de mamas – para as mulheres abaixo dos 35 anos – ajudam a detectar os tumores e melhorar o tratamento.
Mas para quem nem pensa em ter que se submeter aos tratamentos e não apresenta casos de câncer de mama na família (de 5% a 10% dos casos em brasileiras devem-se a fatores hereditários), há muitas formas de se prevenir da doença.
De acordo com Migowski, há muitos estudos que revelam novas formas de espantar o câncer da vida das mulheres. Entre eles está a amamentação nos seis meses de vida dos filhos, pelo menos. Mulheres que possuem mais filhos, também deixam os riscos ainda mais longe.
“Partos de mulheres acima dos 30 anos, menstruação precoce e menopausa tardia, ao contrário, são agravantes”, explicou.
Mas que tal controlar a alimentação? O especialista lembra que alimentar-se bem e não abusar das bebidas alcoólicas garantem uma saúde ainda maior para as mulheres.