Altamente prevalente em populações de todo o mundo, o torque teno vírus (TTV) foi identificado pela primeira vez em 1997. Até o momento, não há evidências do desenvolvimento de doenças diretamente associadas à presença deste vírus, assim como não existem manifestações clínicas exclusivas. Por isso, o TTV é considerado um vírus "órfão".
Em estudo inédito, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificaram a prevalência, a diversidade genética e a carga viral de TTV em fezes. A presença de TTV também já tinha sido verificada na água, mas nenhum estudo havia realizado um levantamento completo a respeito da presença do TTV nas fezes, o que pode ser importante para embasar que a presença deste vírus em via hídrica pode ser devido a esse tipo de contaminação.
A pesquisa sugere que o vírus pode ser empregado como uma ferramenta indicativa de contaminação ambiental.
Tema da tese de dissertação de mestrado do biólogo Carlos Augusto Nascimento, defendida no Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular do IOC, a investigação sugere o TTV como um indicador de presença de vírus no ambiente e de avaliação da qualidade da água.
“Apesar de até hoje não ser conhecida nenhuma manifestação de sintoma associada ao TTV, é possível que esse vírus seja responsável por algum tipo de patologia ainda desconhecida. Cada vez mais, grupos de pesquisa em todo o mundo descobrem novos genogrupos de TTV", explica.