A implantação da telefonia móvel 4G no Brasil aparece como um grande avanço para o país, mas aqueles que esperam uma melhor cobertura terão uma decepção: o 4G não irá interferir nisso. A tecnologia vai influenciar no envio e recebimento de dados ou seja, subir uma foto, assistir a um vídeo ou baixar um arquivo PDF será mais rápido se os investimentos forem feitos corretamente. No entanto, a cobertura permanecerá com poucas mudanças. Isso porque o 4G trabalha paralelamente às tecnologias já existentes, e fará uso, em muitos casos, da infraestrutura de antenas e transmissores já existentes.
A taxa de transmissão de dados via 4G é aproximadamente 10 vezes maior que na tecnologia anterior. Segundo a Anatel, a transmissão em 3G é feita em até 2 megabits por segundo (Mbps), enquanto a tecnologia 4G permite transferências a 22 Mbps, em média.
Ao contrário da rede atual, em que um aparelho funciona com a rede de todos os países, isso pode não acontecer com o 4G. A frequência adotada na tecnologia de quarta geração varia de um lugar para o outro. A adotada no Brasil, por exemplo, entre 2.5 GHz e 2.6 GHz, é a instalada em grande parte da Europa Ocidental, porém bem diferente dos EUA, onde foi adotada a faixa de 700 MHz como padrão.
Isso quer dizer que smartphones ou tablets fabricados ou comprados fora do País podem não funcionar por aqui, e vice-versa. Recentemente, a Apple perdeu uma batalha judicial na Austrália pois o novo iPad à venda no país funcionava na banda americana, incompatível com a australiana, fazendo com que os tablets não operassem em 4G, ao contrário do que anunciava a empresa em suas propagandas. Segundo a Anatel, no entanto, o mais provável é que os fabricantes, já prevendo as diferentes faixas usadas para o 4G no mundo, fabriquem terminais com múltiplas bandas. Isso significa que os aparelhos devem funcionar basicamente em duas faixas de frequência: de 2,5Ghz (Brasil e Europa) e de 700Mhz (EUA).
Como o processo de licitação do 4G ainda não havia terminado na tarde desta quarta-feira, as empresas foram cautelosas em relação a valores, prazos e velocidades. Uma das operadoras vencedoras do leilão aposta que a chegada do 4G deva resultar também no aumento da velocidade na rede 3G, que seria "desafogada" com a nova opção.