A criadora do videogame Atari e de jogos clássicos como "Pong" e "Pitfall" entrou com pedido de concordata nos Estados Unidos. De acordo com notícia publicada no jornal Los Angeles Times, o objetivo é separar o negócio dos EUA da conturbada operação de sua controladora francesa – conhecida como Infogrames, até 2008, quando mudou seu nome para Atari após comprar os ativos da companhia.
Em comunicado oficial, a empresa afirmou que dentro dos próximos 90 ou120 dias, pretende efetuar a "venda de todos, ou de quase a totalidade dos seus ativos". "Estes ativos incluem não só um dos logos de marcas mais reconhecidas, familiar para 90% dos americanos, segundo uma pesquisa recente, mas também títulos de jogos lendários, incluindo Pong, Asteroids, Centipede, Missile Command, Battlezone e Tempest."
Com isso, a Atari poderia voltar-se ao desenvolvimento de jogos para dispositivos móveis. A companhia tem apenas 40 funcionários nos EUA.
Embora a marca de 31 anos de idade ainda seja conhecida mundialmente por seu pioneirismo em jogos como o "Pong" e "Asteroids", a Atari está atolada em problemas financeiros há décadas.
Nos anos de 2011 e 2012, segundo o jornal, a empresa teria registrado um lucro de US$ 11 milhões e US$ 4 milhões, respectivamente, com receitas em alta de 34% em 2012 e 43% em 2011.
O potencial de crescimento da empresa tem sido prejudicado por sua dependência quase total da financeira londrina empresa BlueBay Asset Management. Uma linha de crédito de US$ 28 milhões com BlueBay que acabou em 31 de dezembro, deixando a Atari sem recursos para lançar jogos atualmente em desenvolvimento, incluindo um título com apostas em dinheiro real, o “Casino Atari”.
Os esforços para recapitalizar a empresa têm sido em vão, em parte devido à complexa estrutura de uma empresa essencialmente norte-americana listada em uma bolsa de valores francesa. As ações da Atari SA caíram de mais de 11 euros em 2008 para menos de 1 euro, recentemente.
Se o pedido de falência (ou Chapter 11) for concluído com êxito, o negócio dos EUA poderia ressurgir com recursos próprios e uma dívida quase inexistente com a BlueBay.
"O processo de Chapter 11 constitui a opção mais estratégica para as operações da Atari nos EUA, já que procuram preservar seu valor inerente e desbloquear uma receita potencial não realizada sob o controle de Atari SA", afirmou a empresa em seu comunicado.