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Brasil terá aumento de 38% em novos casos de cancro até 2020

Brasil terá aumento de 38% em novos casos de cancro até 2020

Redação

01/05/2013 - 13h00
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Os novos casos de cancro devem aumentar 38,1% no Brasil ao longo desta década, passando de 366 mil casos diagnosticados em 2009 para mais de 500 mil novos casos em 2020, segundo um artigo assinado por mais de 70 especialistas na revista especializada Lancet Oncology, avança a BBC Brasil.

O artigo adverte que a América Latina corre o risco de enfrentar um aumento substancial no número de mortes por cancro se não houver uma melhoria no diagnóstico precoce da doença e no acesso a tratamentos pelas populações mais pobres.

Segundo o relatório, há 163 casos de cancro para cada 100 mil pessoas na América Latina, número inferior aos 264 casos por 100 mil habitantes registados na União Europeia ou os 300 por 100 mil dos EUA.

Apesar disso, a mortalidade na América Latina é muito mais alta, com 13 mortes para cada 22 casos. Nos EUA, são 13 mortes para cada 37 casos, enquanto na União Europeia são 13 mortes para cada 30 casos.

Segundo os especialistas, o diagnóstico tardio e problemas no acesso a tratamento são as principais causas para a disparidade dos números.

Com o aumento da expectativa de vida na região, além do aumento do poder aquisitivo e da adopção de hábitos verificados em países desenvolvidos, o problema tende a acentuar-se, advertem os autores do artigo.

Eles calculam um aumento de 35% na detecção de novos casos de cancro na América Latina e nas Caraíbas entre 2009 e 2020. No Brasil, esse percentual seria de 38,1%.

Apesar de ser similar ao aumento esperado para outros países em desenvolvimento, como China (34,6%) e Índia (33,8%), a proporção é bastante superior à esperada nos Estados Unidos (26,2%), na Grã-Bretanha (15,5%) ou no Japão (15,4%).

Comportamentos de risco

O relatório dos especialistas adverte que os latino-americanos estão a adoptar cada vez mais comportamentos considerados de risco em relação ao cancro, incluindo vidas mais sedentárias, alimentação menos saudável e consumo maior de cigarros e de álcool.

A exposição das pessoas ao sol sem protecção e a poluição interna gerada pela queima de combustíveis sólidos também são apontados como factores que devem contribuir para o aumento no número de casos de cancro na região na próxima década.

Os especialistas estimam que até 2030 haverá 1,7 milhões de casos de cancro diagnosticados por ano na América Latina e nas Caraíbas, com mais de 1 milhão de mortes anuais.

"A adopção mais generalizada de estilos de vida semelhantes aos dos países desenvolvidos levará ao rápido crescimento no número de pacientes com cancro, com um peso para o orçamento para o qual os países latino-americanos não estão preparados", afirma o coordenador da pesquisa, Paul Goss, professor de medicina da Escola Médica de Harvard, em Boston.

"Esse problema crescente do cancro ameaça causar sofrimento generalizado e se tornar um peso económico para os países da América Latina", diz.

Segundo ele, "a região está mal preparada para lidar com o aumento crescente na incidência de cancro e as taxas de mortalidade desproporcionalmente altas em comparação com outras regiões do mundo, enfatizando a magnitude do problema do controle do cancro".

Custos

O relatório estima que o custo total com cancro em todos os países da América Latina chegou a 4,5 mil milhões de dólares em 2009 (cerca de um terço disso somente no Brasil), comparado com 142,8 mil milhões de dólares nos EUA, 11,3 mil milhões de dólares na Grã-Bretanha, 30,8 mil milhões de dólares no Japão, 5,8 mil milhões de dólares na China e 656 milhões de dólares na Índia.

Quando considerado o tamanho da população, o custo médio por paciente na América do Sul foi calculado em 7,92 dólares (no Brasil, 8,04 dólares). Nos EUA, os gastos por paciente foram de 460,17 dólares, na Grã-Bretanha de 182,73 dólares e no Japão, de 243,7 dólares.

A disparidade diminui quando esses gastos por paciente são analisados em relação ao PIB per capita de cada país, mas ainda assim os custos por paciente como percentagem do PIB per capita, de 0,12% na América do Sul (0,11% no Brasil) ficam bem abaixo das proporções nos EUA (1,02%), no Japão (0,60%) e na Grã-Bretanha (0,51%).

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