Regina Dugan, diretora do departamento de Tecnologia e Projetos Avançados da Motorola, pertencente ao Google, sugeriu que senhas para acessar serviços na internet sejam substituídas por tatuagens eletrônicas e pílulas, durante a conferência D11 promovida pelo “Wall Street Journal“. As drágeas, uma vez digeridas, ativariam um pequeno chip interno que emite um sinal para autenticação. A pílula já foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), órgão dos Estados Unidos equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Brasil.
De 2009 a 2012, Dugan trabalhou como diretora da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa) do Pentágono –onde nasceu a Arpanet, precursora da internet.
Hoje, a Darpa possui um programa de "Autenticação Ativa", que também procura fazer das senhas algo do passado. Na conferência, a executiva explicou que usuários chegam a realizar algum tipo de autenticação até "100 vezes por dia". Na média, um internauta chega a realizar 39 autenticações por dia. Cada uma leva 2,3 segundos. Para facilitar o trabalho de autenticação, a primeira sugestão seria algum tipo de dispositivo que emite sinais de rádio, como Bluetooth ou NFC disponíveis nos smartphones de última geração. "Mas também podemos pensar em coisas que podemos vestir em nossa pele por dias ou semanas, como uma 'tatuagem eletrônica'", explicou ela.
O um dos desafios, a "incompatibilidade mecânica", seria a diferença entre seres humanos e eletrônicos: enquanto pessoas são curvas e flexíveis, a tecnologia é quadrada e rígida. No entanto, um pesquisador de uma universidade norte-americana, John Rogers, já foi capaz de criar uma tatuagem eletrônica. "Pode até ser que jovens de 10 a 20 anos não queiram usar um relógio no pulso, mas pode ter certeza que eles terão bem mais interesse por uma tatuagem eletrônica, nem que seja para irritar os pais", brincou Dugan. Dugan ainda mostrou a pílula capaz de usar o sistema digestivo para se acionar e emitir sinais. Após ser ingerida, a pílula faz com que os sinais possam ser lidos a partir de qualquer parte do corpo. "Esse é o nosso primeiro superpoder. Tudo que tocamos pode nos autenticar. Não é ficção científica", disse a executiva.