O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Érico Antônio Gomes de Arruda, diz que a suspeita de um caso de ebola no Brasil não é motivo para pânico, e que o momento é propício para avaliar a eficiência dos procedimentos adotados até agora. "Entendemos que é um momento importante, de preocupação nacional, mas sequer temos o caso confirmado", afirma. "E mesmo que tivéssemos, ainda não houve caso de transmissão na América do Sul", diz.
O paciente Souleymane Bah, 47, foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio, na madrugada desta sexta-feira (10). O resultado de um exame de sangue, que apontará se há ou não a infecção pelo vírus, será divulgado em até 24 horas. Por conta de ter sentido febre e por ter vindo da Guiné (um dos países mais afetados pelo ebola), o caso de Bah foi classificado como suspeito. Segundo Arruda, a falta de informações e de tratamentos para o ebola faz com que o combate ao vírus seja um desafio mundial.
"Temos um plano de contingência que vem sendo atualizado na medida em que alguns detalhes são esclarecidos, e é nele que nós temos que nos apoiar". O plano prevê uma série de medidas de acordo com um nível de emergência. Em agosto, o Ministério da Saúde decretou o nível dois, de uma escala que vai de zero a três. "Na crise a gente aprende. Certamente nós teremos uma avaliação de como funcionaram as estratégias, de bloquear a unidade hospitalar que atendeu o paciente com suspeita da doença, mandar a equipe do Ministério da Saúde num avião, trazer um paciente em cuidados especiais e a segurança com a equipe, entre outros fatores", afirma Arruda.
"Na melhor das hipóteses, fizemos um treinamento que vai mostrar as nossas falhas e no que nós acertamos", disse. Ainda segundo ele, como o contágio do ebola se dá apenas mediante o contato com pessoas infectadas, precauções como evitar viagens ou aglomerações não são necessárias.