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OMS critica ''epidemia'' de cesariana no Brasil

OMS critica<br> ''epidemia''<br> de cesariana<br> no Brasil

Redação

13/04/2015 - 12h15

Na sexta-feira, dia 10 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que as cesáreas sejam realizadas apenas quando forem "medicalmente necessárias", e lamentou a "epidemia" de cirurgias desse tipo que acontece em várias regiões do mundo, principalmente no continente americano.

Marleen Temmerman, diretora do Departamento de Saúde e Pesquisas da OMS, afirma que "em muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento há um aumento do número de partos por meio de cirurgia, inclusive quando não há razões médicas que justifiquem a escolha". Essa "epidemia", segundo Temmerman, acontece devido ao fato de os médicos quererem simplificar a própria vida, já que as cesarianas têm data marcada para acontecer.

A diretora ressalta o caso do Brasil, onde "uma verdadeira cultura da cesariana" se instalou. Cerca da metade dos bebês brasileiros vem ao mundo por meio de uma cirurgia, o que faz do país o líder mundial em número de cesáreas.

Recomendação

As constatações foram publicadas nas novas recomendações da OMS relativas ao parto. Pela primeira vez, a organização recomendou claramente a prática de cesariana apenas quando há razões médicas para a realização da cirurgia. Até então, a entidade das Nações Unidas apenas indicava que o índice ideal de cesáreas deveria ser de 10 a 15% dos partos.

Essa taxa foi estabelecida por especialistas em 1985, mas a partir daquele ano, a opção pela cesariana teve um forte aumento, tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Nas Américas, o índice chega a 35,6% das gravidezes, em média. Na Europa, 23% das mulheres acabam fazendo cesárea e na região do oeste do Pacífico, a taxa é de 24,1%. O fenômeno da “epidemia” só não se verifica na África (3,8%) e no sudeste da Ásia (8,8%).

A OMS está fazendo pesquisas para determinar um índice ideal atualizado de partos por cesárea. Estudos existentes mostram que uma taxa superior a 10% não significa uma redução da mortalidade materna e neonatal. Entretanto, nos países onde o índice é inferior a esse, a mortalidade diminui na medida em que a taxa de cesariana é maior.

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