O total de casos novos de câncer atingiu 14,9 milhões no mundo, em 2013, com alta de 75,6% em comparação a 1990. Já a proporção de mortes por câncer evoluiu de 12%, em 1990, para 15%, em 2013, quando a doença vitimou 8,2 milhões de pessoas. Os dados constam do estudo Fardo Global do Câncer 2013, publicado por um grupo de pesquisadores no Journal of the American Medical Association, no fim de maio, com dados relativos ao período de 1990 a 2013. Foram pesquisados 28 tipos principais da doença em 188 países.
O estudo comprova o aumento do número de casos novos de câncer em todo o mundo e também no Brasil, bem como o número de óbitos. Em função do envelhecimento populacional, a maior incidência de tumores ocorre nas pessoas mais idosas. “Como as pessoas estão vivendo mais e as causas de óbitos anteriores, por doenças infecciosas, vêm caindo, devido a tratamentos mais efetivos e a campanhas de vacinação, o número de óbitos por câncer subiu bastante”, disse hoje (8) à Agência Brasil o professor da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Itamar Santos. Ele integrou o grupo de pesquisadores liderados pela Universidade de Washington, ao lado do também professor da USP Paulo Andrade Lotufo.
Em termos globais, o câncer é a doença que mais mata no mundo, depois das doenças coronarianas. Santos advertiu, entretanto, que como os tratamentos contra o câncer têm evoluído também, “é de se esperar que o número de óbitos não acompanhe o ritmo do número de casos diagnosticados”. Ele destacou que, além disso, existem métodos de diagnóstico muito sensíveis, que “a medicina ainda está aprendendo a usar”. Essa é uma razão também para que o número de casos novos aumente mais que o de mortes, indicou.
Somando homens e mulheres, o tipo de câncer que mais mata no mundo é o de pulmão. Em 2013, foram 1,64 milhão de vítimas. No Brasil, foram em torno de 29 mil mortes, contra 15,6 mil, em 1990. Entre as mulheres, o câncer de pulmão matou 485 mil pessoas no mundo, em 2013. Em seguida, veio o câncer de mama, com 464 mil mortes.