A "pós-verdade" chegou à Índia por Whatsapp. O Whatsapp tem seu maior mercado nacional na Índia, com mais de 160 milhões de usuários ativos, superando as demais redes sociais, como Facebook e Twitter.
Se o serviço de mensagens instantâneas ajuda os indianos a se comunicar melhor -pode-se contratar diversos tipos de serviço pelo aplicativo e, em partes do país, a polícia até recebe denúncias- ele também tem contribuído para a rápida disseminação de informações falsas.
Em novembro, depois de o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciar a substituição de cédulas de rúpias com o intuito de combater a sonegação de impostos, começaram a circular nas redes sociais boatos de que o novo dinheiro continha microchips e podia ser rastreado por GPS.
Vídeos falsos mostravam a localização de notas no Google Maps a partir de seus números de série.
Pouco depois, o Banco Central desmentiu a informação sobre as cédulas rastreáveis, classificando-a de "fábula da imaginação".
No mesmo mês, circularam pelo Whatsapp notícias sobre o suposto desabastecimento de sal e outros alimentos em alguns Estados do país, provocando pânico e levando pessoas a correr para estocar produtos. Em um tumulto na cidade de Kanpur, uma mulher morreu após ser empurrada e cair em um bueiro.
As autoridades vieram a público para negar a escassez de comida.
O blogueiro de tecnologia e ativista indiano Thejesh GN disse à reportagem que as pessoas "abusam das vantagens" do Whatsapp ao encaminhar informações não verificadas para muitas pessoas ao mesmo tempo.
"Não estou dizendo que é culpa do Whatsapp", afirma Thejesh. Ele sugere que o aplicativo poderia trazer melhorias, como incluir mecanismo de denúncia de spams.