Tecnologia

CUIDADO REMOTO NA PANDEMIA

No home office, redobre cuidado com segurança digital

Professor da UFMS dá dicas para evitar armadilhas cibernéticas

Ricardo Campos Jr

18/06/2020 - 06h00

Quem estuda ou trabalha em casa tem que redobrar cuidados com segurança digital. A pandemia da Covid-19 forçou atividades remotas e muitas empresas e escolas tiveram que se adequar em pouco tempo. Quais cuidados devem ser tomados?

O Correio do Estado conversou com Brivaldo Junior, professor da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Facom-UFMS), e dá algumas dicas sobre como se proteger.

“A nossa sociedade é uma sociedade tecnológica. Quanto mais você entra no mundo da tecnologia, você está mais propício a ter seus dados e informações roubados, então temos que tomar cuidados adicionais. A pandemia faz com que fiquemos mais em casa e usemos mais a tecnologia para acessar sistemas remotamente. Isso obviamente nos torna mais vulneráveis. As pessoas que trabalhavam nas sedes das empresas não tinham essa preocupação, mas agora estão diante disso”, explica.

1ª DICA: USE UMA REDE PARTICULAR

Existem tecnologias que permitem que o usuário acesse todos os sistemas à distância como se estivesse dentro da empresa. São as Redes Privadas Virtuais (VPN na sigla em inglês)

“Basicamente você instala um aplicativo no celular e no computar, conecta esse aplicativo à empresa e é como se você estivesse na sede da corporação. Tudo o que fizer no computador, estará fazendo praticamente no escritório. Você consegue até imprimir um arquivo remotamente”, afirma Brivaldo Junior.

Normalmente são serviços pagos, mas o professor afirma que se trata de um investimento importante quando informações devem ser mantidas em sigilo.

2ª DICA: REUNIÕES ONLINE SEGURAS

Brivaldo Junior afirma que não existe um aplicativo cem por cento seguro tanto para discutir negócios quanto para aulas à distância. Recentemente o Zoom, um dos maiores programas desse seguimento, entrou na lista negra das empresas e escolas diante da notícia de vazamento de informações. 

“Os programas são desenvolvidos por seres humanos e seres humanos estão propensos a cometerem falhas”, pontua.

Assim, a alternativa é mirar em softwares que sejam reconhecidos no mercado pelos altos índices de proteção que fornecem. Contudo, o próprio usuário também deve ter em mente que, em parte, a proteção da empresa ou dos dados depende dele. 

“O aplicativo é o mais seguro possível, mas a pessoa recebe um link malicioso e abre, tornando o sistema inseguro. As pessoas têm que entender que hoje em dia temos muitas informações de vários lugares diferentes ao mesmo tempo. Tem muita informação falsa na rede e obviamente as pessoas talvez não estivessem tão acostumadas a lidar com as tecnologias remotamente o tempo todo”, pontua o especialista.

3ª DICA: DESCONFIE SEMPRE

Recebeu uma mensagem do banco pedindo para refazer a senha? Entre no site oficial da instituição e cheque se faz parte dos procedimentos alterar o acesso daquela forma. Nunca acredite ter recebido dinheiro de graça ou de promoções nas quais nunca participou. Às vezes isso parece óbvio, mas há quem se torne vulnerável por cair nessas armadilhas.

“Cola o link no Google e veja se ele já não existe, porque as pessoas mandam esse link para uma quantidade massiva de pessoas”, orienta Brivaldo Junior.

4ª DICA: MANTENHA SISTEMAS SEMPRE ATUALIZADOS

O professor da UFMS orienta a deixar que o sistema operacional tanto do celular como do computador estejam o mais “up to date” possível, pois as empresas têm equipes para proteger seus clientes de ataques e crimes cibernéticos mais comuns. 

“Tenha um bom antivírus ou use sistemas menos vulneráveis. Tenha um bom anti-spam. Tenha atitudes proativas na rede, não acesse tudo que receber, não baixe qualquer coisa, mesmo de pessoas conhecidas. Evite a pirataria. Quando você usa programas piratas, a pessoa que te forneceu muito provavelmente colocou algo na sua máquina pra tirar algum proveito”.

5ª DICA: DE OLHO NAS AULAS REMOTAS

Crianças e adolescentes na frente de um computador jamais devem ficar sem supervisão, orienta Brivaldo Júnior, mas como os pais muitas vezes têm que trabalhar e as atividades das escolas estão totalmente online, é possível instalar programas que bloqueiem sites indevidos no caso de os alunos resolverem matar aula sem sair do lugar.

“Uma das coisas que os pais podem fazer é usar a tecnologia de familiy shield. Ela cataloga vários sites da internet e aqueles que não são considerados amigáveis, são filtrados. É uma forma de mitigar tanto o acesso proposital como o sem querer”, completa.

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