O tardígrado é considerado por muitos cientistas o animal mais resistente do planeta. Mesmo medindo entre 0,1 milímetro e 1 milímetro, o pequeno invertebrado suporta condições extremas que seriam fatais para quase qualquer outro organismo. O animal também é conhecido popularmente como “urso-d’água”.
Descoberto no século XVIII por um zoólogo alemão, o tardígrado rapidamente despertou interesse da comunidade científica. Atualmente, existem cerca de 1.300 espécies catalogadas em diferentes regiões do planeta. Eles vivem em ambientes úmidos como musgos, líquenes, solos e até geleiras.
A criatura consegue sobreviver a temperaturas extremamente altas e baixas, além de resistir à radiação intensa. Pesquisas já mostraram que o animal suporta condições próximas ao vácuo espacial. Em alguns experimentos, tardígrados permaneceram vivos após viagens fora da Terra.
Estado especial permite sobrevivência por décadas
O principal segredo da resistência do tardígrado está em um mecanismo chamado criptobiose. Durante esse processo, o organismo elimina quase toda a água do corpo e reduz drasticamente o metabolismo. O animal entra em estado semelhante à dormência profunda.
Nessa condição, chamada de “tun”, o tardígrado retrai patas e cabeça, assumindo formato ressecado e compacto. Assim, consegue permanecer praticamente sem atividade biológica durante décadas. Quando o ambiente volta a oferecer água e condições favoráveis, ele retorna à vida normalmente.
Segundo especialistas, alguns indivíduos podem sobreviver por até cem anos nesse estado. Fora da criptobiose, porém, a expectativa de vida é bem menor. Dependendo da espécie, o ciclo normal varia de alguns meses até cerca de dois anos e meio.
Capacidade extrema impressiona pesquisadores
A criptobiose pode ser ativada por falta de água, congelamento, excesso de sal ou ausência de oxigênio. Esse mecanismo permite que o animal suporte temperaturas acima de 149 graus Celsius e abaixo de menos 200 graus. A resistência impressiona até especialistas em biologia extrema.
Além disso, experimentos científicos já comprovaram a sobrevivência dos tardígrados no espaço por vários dias consecutivos. Pesquisadores também investigam como essas adaptações podem ajudar no desenvolvimento de técnicas de preservação celular. Os estudos despertam interesse em áreas ligadas à medicina e criogenia.
