A transferência de Allan, do Palmeiras para o Manchester City, poderia representar uma importante entrada de dinheiro nos cofres do Figueirense, clube da Série C do Brasileirão. No entanto, a negociação também colocou em evidência uma dívida judicial que pode superar o valor que o clube catarinense teria a receber.
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio dos créditos relacionados à transferência, em razão de uma execução que chegou a R$ 36,6 milhões, segundo cálculo apresentado pela credora.
A dívida teve origem em um empréstimo de R$ 3 milhões contratado pelo Figueirense. em junho de 2018, período em que a gestão do futebol estava ligada ao projeto com a Elephant Participações.
De acordo com a cobrança, das 100 notas promissórias de R$ 30 mil emitidas na operação, 96 não foram quitadas. O débito inicial de R$ 2,88 milhões aumentou significativamente devido à remuneração contratual de 2,5% ao mês, calculada de forma cumulativa.
A M&F Investimentos e Participações S.A., atual credora, apresentou à Justiça uma cobrança de R$ 36,6 milhões. Esse valor, porém, ainda não representa uma quantia definitivamente homologada pelo Judiciário.
O Figueirense chegou a deter 30% dos direitos sobre uma futura transferência de Allan, mas negociou 20 pontos percentuais com o Palmeiras em 2025, recebendo R$ 1,6 milhão.
Com isso, o clube catarinense manteve 10% dos direitos econômicos. Considerando a transferência para o Manchester City por 40 milhões de euros, essa participação equivaleria a aproximadamente R$ 24 milhões.
O Figueirense também pode receber valores referentes ao mecanismo de solidariedade da Fifa, por ter participado da formação do jogador. Dependendo do percentual reconhecido, estimado entre 0,25% e 0,75%, o montante poderia variar de aproximadamente R$ 600 mil a R$ 1,8 milhão.
OFICIAL! Manchester City anuncia a contratação do atacante Allan, ex-Palmeiras.
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) August 31, 2026
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Compromissos financeiros pesam sobre o clube catarinense
Entretanto, praticamente toda a participação restante do Figueirense já está relacionada a outros compromissos financeiros. Cerca de 5% da negociação estaria vinculada a um empresário que emprestou dinheiro ao clube em 2025, podendo representar até R$ 12 milhões caso os bônus previstos sejam alcançados.
Outros 5% foram utilizados em uma operação envolvendo o Athletico-PR como garantia de um empréstimo. Segundo a versão apresentada pelo Figueirense, essa dívida está próxima de R$ 8 milhões. Assim, dos aproximadamente R$ 12 milhões correspondentes aos 5% da parcela fixa da transferência, cerca de R$ 4 milhões poderiam permanecer com o clube.
Agora, Palmeiras e CBF deverão apresentar à Justiça informações sobre os valores que efetivamente pertencem ao Figueirense, os titulares dos créditos, a forma de pagamento e a existência de eventuais cessões, garantias ou outras decisões envolvendo os mesmos recursos.
Até que essas questões sejam esclarecidas, os valores atingidos pela determinação judicial permanecem bloqueados. O cenário não significa que os R$ 36,6 milhões serão automaticamente retirados da transferência de Allan, já que diferentes credores e garantias podem disputar os mesmos créditos.
Ainda assim, uma negociação que poderia gerar até cerca de R$ 25,8 milhões ao Figueirense colocou o clube diante de uma cobrança judicial superior ao próprio valor potencial da receita.