O avanço das tensões geopolíticas e a volatilidade do mercado de petróleo voltaram a impulsionar discussões sobre combustíveis alternativos. Nesse cenário, o empresário Eike Batista apresentou um novo empreendimento baseado na produção de etanol por meio da chamada supercana. A proposta busca ampliar a oferta de biocombustíveis e reduzir a dependência de derivados fósseis.
Anunciado em 2025, o projeto prevê um aporte de aproximadamente US$ 500 milhões. Os recursos devem vir principalmente de investidores do Oriente Médio interessados em iniciativas ligadas à transição energética. A tecnologia ainda passa por etapas de validação antes de ser implementada em larga escala.
Variedade promete elevar produção de etanol
A supercana é uma versão geneticamente aprimorada da cana-de-açúcar tradicional. Segundo os defensores da tecnologia, ela apresenta maior capacidade de geração de biomassa e rendimento superior na produção de etanol. Essas características poderiam tornar o combustível mais competitivo em relação à gasolina e ao diesel.
Além do uso em veículos terrestres, o projeto também avalia aplicações para outros segmentos. Um dos focos está na produção de combustíveis sustentáveis destinados ao setor aéreo. A expectativa é que a matéria-prima contribua para atender à crescente demanda por alternativas de menor impacto ambiental.
A futura operação deverá ser instalada nas proximidades do Porto do Açu, no estado do Rio de Janeiro. A localização estratégica facilitaria tanto a distribuição interna quanto o envio do produto para mercados internacionais. O plano inclui atender consumidores brasileiros e ampliar as exportações do biocombustível.
Mercado recebe proposta com cautela
Apesar do interesse despertado pelo anúncio, especialistas do setor sucroenergético demonstram prudência. Representantes da indústria lembram que projetos semelhantes já foram apresentados em outros momentos. Muitos deles enfrentaram obstáculos financeiros e dificuldades para alcançar escala comercial.
A iniciativa também marca uma nova tentativa de reposicionamento de Eike Batista no ambiente empresarial. O empresário ganhou projeção internacional com o grupo EBX, que atuava em áreas como energia, mineração e logística. Anos depois, o colapso da OGX encerrou o ciclo de expansão e deu início a uma fase marcada por reestruturações e disputas judiciais.