A cultura popular está cheia de personagens marcantes da ficção que desenvolvem uma obsessão por determinado objetivo e são capazes de ir até as últimas consequências para alcançá-lo.
No futebol brasileiro, John Textor parece cada vez mais próximo de ocupar um lugar nesse grupo de personagem obstinado. O empresário norte-americano continua tentando recuperar o controle de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo, mesmo após os recentes desdobramentos judiciais que afastaram o investidor da administração da equipe.
Segundo informação publicada inicialmente pelo jornalista Diogo Dantas, de O Globo, Textor agora aposta no andamento de um processo na Justiça da Flórida, nos Estados Unidos, para tentar avançar em sua estratégia.
Em comunicado divulgado em seu site oficial, o empresário apresentou atualizações sobre essa ação e também sobre processos em andamento no Reino Unido e no Brasil.
De acordo com Textor, a Eagle Bidco não teria apresentado, dentro do prazo estabelecido, uma contestação às alegações de propriedade feitas por ele.
A defesa da empresa deveria ter sido apresentada até 6 de agosto. Diante da ausência de manifestação, os advogados do norte-americano solicitaram à Justiça da Flórida uma order of default, que corresponde a uma ordem de revelia.
Processos em diferentes países envolvendo o empresário
Na mesma manifestação, Textor afirma que a Eagle Bidco também não teria contestado suas alegações em um processo que tramita no Brasil. Além disso, segundo o empresário, a companhia informou à Justiça britânica que não pretende apresentar manifestação na ação movida por ele.
O processo nos Estados Unidos foi iniciado em 4 de julho. Nele, Textor pede que a Justiça reconheça que ele continua sendo o proprietário da SAF do Botafogo, mantendo uma participação de 90% no capital da empresa.
O empresário também quer que a corte confirme sua alegação de que a Eagle Bidco nunca teria realizado o pagamento em dinheiro previsto no contrato original pelo qual pretendia vender suas ações da SAF. Por esse motivo, Textor defende que o acordo seja considerado nulo.
No processo que tramita no Reino Unido, a estratégia é diferente. Textor solicitou uma liminar para impedir que os administradores judiciais da Eagle Bidco vendam suas ações.
Segundo ele, o objetivo não é obter imediatamente uma decisão sobre o mérito da disputa societária, mas fazer com que a Justiça britânica respeite os processos que estão em andamento nos Estados Unidos e no Brasil.
A intenção é evitar uma eventual venda da participação na SAF antes que os tribunais responsáveis pelos outros processos concluam suas análises. O próprio Textor reconhece que conseguir a liminar será uma tarefa difícil, mas afirma esperar que a Justiça impeça a Eagle Bidco de vender um ativo que, segundo sua interpretação, não pertence à empresa.
No Brasil, o empresário também tenta recuperar o controle da SAF do Botafogo. Seus advogados solicitaram uma liminar para impedir que a Eagle Bidco negocie ações que Textor afirma serem de sua propriedade.
O pedido, porém, foi inicialmente rejeitado pela Justiça brasileira. A decisão considerou, ao menos neste momento, que não havia comprovação de urgência relacionada a uma eventual venda das ações. A Eagle Bidco deverá apresentar sua defesa em até 15 dias após ser oficialmente notificada.
Ainda segundo a manifestação divulgada por Textor, a Eagle Bidco teria optado por não apresentar uma defesa sobre a questão no Brasil e não teria contestado as alegações do empresário relacionadas à propriedade da SAF do Botafogo.
Assim, enquanto os processos avançam em diferentes países, Textor mantém sua tentativa de recuperar o controle acionário do clube. A disputa, que começou como uma questão societária, agora se desenrola simultaneamente nos tribunais dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Brasil.