Gabriel Bortoleto é o nome do Brasil no grid da Fórmula 1, mas já surge na cabeça de alguns fãs do automobilismo uma pergunta: quando o piloto terá chances reais de ser campeão mundial da categoria? Sobre essa questão, veio à tona uma importante previsão.
A Audi, equipe de Bortoleto, estabeleceu uma meta ambiciosa para sua entrada definitiva na Fórmula 1: disputar o título mundial até 2030. À frente do projeto, Mattia Binotto reconheceu que o caminho ainda apresenta desafios, mas afirmou que os primeiros resultados da equipe reforçam a confiança no planejamento traçado para os próximos anos.
Depois de encerrar a primeira metade da temporada com três corridas consecutivas na zona de pontuação, a antiga Sauber finalmente começou a extrair todo o potencial do Audi R26. O desempenho representa uma evolução significativa em relação ao início do campeonato, quando os pontos pareciam fora de alcance.
Responsável pelo projeto da Audi na Fórmula 1 desde 2024, Mattia Binotto coordena a integração entre a fábrica de chassis, em Hinwil, na Suíça, e o desenvolvimento da unidade de potência em Neuburg, na Alemanha.
O ex-chefe da Ferrari acredita que os primeiros meses do programa foram animadores, principalmente diante da estreia de uma nova estrutura e de um regulamento técnico completamente reformulado.
Segundo o dirigente, a equipe conseguiu construir uma base sólida para o futuro, evitando os problemas enfrentados por outras escuderias durante a adaptação às novas regras.
Na pista, o Audi R26 vem se consolidando como um dos carros mais fortes do pelotão intermediário, disputando posições com Alpine e Racing Bulls logo atrás das quatro principais equipes do grid.
Apesar do bom desempenho do chassi, Binotto admite que a unidade de potência ainda representa o principal ponto de atenção do projeto. A Audi já recebeu autorização para realizar duas atualizações no motor, sendo que uma delas teria sido introduzida durante o Grande Prêmio de Barcelona.
Além disso, a equipe enfrentou dificuldades operacionais ao longo da temporada. Problemas nas largadas comprometeram resultados importantes, enquanto situações incomuns, como o abandono de Nico Hülkenberg na Espanha após uma pedra atingir o sistema de desligamento do motor, também custaram pontos preciosos.
Mesmo ocupando apenas a oitava posição no Mundial de Construtores durante a pausa de verão, a avaliação interna é positiva. Binotto acredita que o desempenho atual não reflete completamente o potencial da equipe, que considera possuir um conjunto capaz de competir entre os cinco ou seis melhores do grid.
O dirigente destacou que era difícil estabelecer expectativas para uma temporada marcada por mudanças profundas no regulamento e pela transformação da Sauber em equipe oficial da Audi. Para ele, o fato de o projeto ter começado com uma base competitiva representa um importante alívio.
Na avaliação de Binotto, acertar os fundamentos técnicos logo no início é essencial para sustentar o crescimento da equipe nos próximos anos. Com essa estrutura consolidada, a Audi pretende continuar evoluindo gradualmente até alcançar sua meta de disputar o título da Fórmula 1 antes do fim da década.
Com isso, caso a previsão de Binotto se cumpra e com a tendência de Bortoleto seguir como nome da equipe, pensando no futuro, o brasileiro pode ter a chance real de disputar o título em poucos anos, e quem sabe alcançar uma conquista que não vem desde 1991, com o tricampeonato de Ayrton Senna.
Fraqueza da Mercedes pode ser indício de campeonato mais disputado na F1
A temporada da Fórmula 1 ainda está longe de ter um campeão definido. Para Bernie Collins, ex-estrategista da Aston Martin, a disputa pelo título segue completamente aberta, com três equipes e o atual campeão Max Verstappen ainda na briga pelas primeiras posições na segunda metade do campeonato.
Na avaliação de Collins, a Mercedes desperdiçou parte da vantagem construída no início da temporada. Segundo ele, Kimi Antonelli e George Russell tiveram uma fraqueza: acabaram concentrando suas atenções na disputa interna, permitindo que os concorrentes reduzissem a diferença na classificação.
Antonelli chega às férias de verão na liderança do Mundial de Pilotos. O italiano, que entrou para a história ao se tornar o mais jovem piloto a liderar um campeonato de Fórmula 1 após o GP do Japão, abriu vantagem de 50 pontos sobre Lewis Hamilton, da Ferrari. George Russell aparece logo atrás, seguido por Charles Leclerc e Lando Norris.
Embora a Mercedes tenha dominado as seis primeiras etapas da temporada, o cenário mudou nas corridas mais recentes. Das últimas cinco provas disputadas, a equipe venceu apenas duas, enquanto Ferrari e McLaren passaram a dividir os triunfos.
Para Collins, a principal razão da mudança de forças está na corrida pelo desenvolvimento dos carros. A Ferrari apresentou um importante pacote de atualizações no GP de Barcelona, etapa vencida por Lewis Hamilton, e voltou a evoluir após a introdução da primeira atualização de sua unidade de potência, que contribuiu para a vitória de Charles Leclerc em Silverstone.
A McLaren também deu um salto de desempenho ao estrear um novo pacote aerodinâmico no GP da Hungria. As melhorias aumentaram a carga aerodinâmica e o equilíbrio do MCL40, permitindo que Lando Norris conquistasse sua primeira vitória na temporada.
Na visão do ex-estrategista da Aston Martin, a disputa pelo campeonato será decidida pela capacidade das equipes de continuar evoluindo seus carros durante o restante do calendário.
Collins acredita que o desenvolvimento técnico continuará sendo o principal fator para definir quem levará vantagem nas próximas corridas. Com 11 etapas já disputadas e outras 12 ainda pela frente, ele destaca que há muitos pontos em jogo e que o cenário do campeonato pode mudar diversas vezes até a definição do campeão.