Ter o próprio estádio é importante para qualquer equipe e no São Paulo isso não é diferente. Afinal, o Morumbis é a casa do Tricolor durante décadas, sendo lar de grandes jogos, conquistas e shows. É isso mesmo, além da bola rolando, espetáculos realizados no local são importantes para receita do clube. Mas ai fica uma pergunta: vale a pena?
Dá retorno para o São Paulo abrir espaço para shows no Morumbis, mesmo tendo que disputar partidas em outros estádios? Um levantamento feito pelo portal ge, baseado nos contratos firmados pelo clube com a Live Nation indica que, pelo menos financeiramente, a estratégia tem sido vantajosa.
Desde o primeiro acordo com a produtora, assinado em dezembro de 2023, o São Paulo arrecadou aproximadamente R$ 100 milhões com os shows realizados no estádio.
Em contrapartida, o clube precisou transferir 12 partidas para outras arenas. A estimativa é que esses jogos, se realizados no Morumbis, teriam gerado cerca de R$ 11,4 milhões em receitas líquidas de bilheteria. Dessa forma, a diferença entre o que o clube ganhou com os eventos e o que deixou de arrecadar com os jogos chega a quase R$ 90 milhões a favor dos shows.
O levantamento compara as receitas obtidas pelo São Paulo com as apresentações musicais e a renda líquida das partidas disputadas fora de casa com uma estimativa do que esses confrontos poderiam ter gerado no Morumbis, considerando a média de arrecadação do estádio em cada temporada.
Nem mesmo os custos de manutenção do gramado mudam significativamente o cenário. Desde o início da parceria, o piso do estádio precisou ser completamente substituído cinco vezes, em uma despesa estimada em R$ 4 milhões. Pelo contrato, porém, esse valor é assumido pela própria Live Nation.
No aspecto esportivo, o impacto também não foi necessariamente negativo. Nos 12 jogos disputados longe do Morumbis, cerca de 287,8 mil torcedores deixaram de comparecer ao estádio, tomando como referência a média de público de cada temporada.
Ainda assim, o São Paulo somou seis vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas, conquistando 22 dos 36 pontos possíveis, com aproveitamento de 61,1%.
O São Paulo tem três apresentações do BTS programadas para o Morumbis nos dias 28, 30 e 31 de outubro. Para esses eventos, o clube receberá R$ 1 milhão adicional por show, já que a diretoria inicialmente resistiu a liberar o estádio devido ao calendário esportivo.
Com essas três apresentações, o contrato renovado com a Live Nation chegará à metade: 18 dos 36 shows previstos terão sido realizados. O acordo foi estabelecido pela quantidade de eventos, e não por um prazo fixo, com limite de seis anos para a realização das 36 apresentações.
O São Paulo também enxerga os shows como um possível diferencial na negociação de novos naming rights para o estádio. A ideia é que uma eventual marca parceira possa associar sua imagem não apenas ao futebol, mas também aos grandes artistas internacionais que passam pelo Morumbis.
A continuidade da parceria, porém, poderá ser discutida após as próximas eleições do clube. Caso uma futura administração decida romper o contrato com a Live Nation, a multa prevista corresponde a 50% do valor fixo restante, podendo chegar a R$ 19,35 milhões.
Outro detalhe importante é que metade dos valores fixos previstos no novo contrato foi antecipada ao São Paulo no momento da assinatura, em junho de 2025.
Como o acordo estabelece R$ 2,15 milhões por show, o valor fixo total chega a R$ 77,4 milhões. Desse montante, R$ 38,7 milhões foram recebidos antecipadamente, fazendo com que cada nova apresentação represente, na prática, uma entrada imediata de R$ 1,075 milhão a menos nos cofres do clube.
Marcão é chamado mais uma vez para comandar o Fluminense
O Fluminense anunciou a saída de Luis Zubeldía e, mais uma vez, recorreu a Marcão para tentar colocar a temporada de 2026 nos trilhos. Integrante da comissão técnica permanente do clube, o ex-jogador assume a equipe pela 10ª vez após a saída de um treinador.
A missão mais urgente será garantir a classificação para as quartas de final da Libertadores, diante do Independiente Rivadavia, na próxima terça-feira (18).
Marcão se tornou uma espécie de “bombeiro” do Fluminense em momentos de crise. Desde sua primeira oportunidade, em 2016, quando assumiu após a saída de Eduardo Baptista, ele já exerceu diferentes funções no comando da equipe.
Na maioria das vezes, trabalhou como interino até a contratação de um novo treinador, participando também do processo de transição e contribuindo com informações sobre o elenco.
Em três ocasiões, porém, o desafio foi maior: Marcão precisou comandar o time até o fim da temporada. Isso aconteceu em 2019, após a saída de Oswaldo de Oliveira, e nos dois anos seguintes, depois das demissões de Odair Hellmann e Roger Machado.
Em todas essas oportunidades, o trabalho terminou com resultados importantes. Em 2019, conseguiu evitar o rebaixamento, enquanto em 2020 e 2021 garantiu ao Fluminense uma vaga na Libertadores.
Nas nove passagens anteriores como técnico interino, Marcão acumulou 74 partidas pelo Fluminense, com 31 vitórias, 20 empates e 23 derrotas.
O aproveitamento é de 51%. Segundo dados do Gato Mestre, do portal ge, sete desses jogos aconteceram em períodos nos quais o clube já tinha um treinador contratado, mas iniciou a temporada do Campeonato Carioca com o elenco principal ainda retornando das férias, em 2024 e 2025.
Ao longo desse período, apenas dois dos 12 treinadores que passaram pelo Fluminense comandaram mais partidas do que Marcão. Abel Braga, em 2017, esteve à frente da equipe em 107 jogos, enquanto Fernando Diniz, entre 2022 e 2024, chegou a 146 partidas.
De acordo com o comunicado oficial do clube, Marcão permanecerá no comando até segunda ordem. A tendência é que ele esteja à frente do Fluminense no duelo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o Independiente Rivadavia, na terça-feira, às 19h, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza.
Antes disso, o treinador terá pela frente o Palmeiras, no sábado (15), às 16h30, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O confronto com o Independiente Rivadavia também será histórico para Marcão: será a primeira vez que ele comandará o Fluminense em uma partida de Libertadores. Mais uma vez, o ídolo tricolor entra em cena em um momento decisivo para tentar conduzir o clube a uma reação na temporada.