A Argentina atravessa uma onda de encerramento de fábricas, gerando milhares de demissões. Mesmo com indicadores econômicos apontando melhora, o país vizinho do Brasil vê crescimento do desemprego.
Em novembro de 2023, aproximadamente duzentas indústrias encerraram atividades, eliminando cerca de seis mil e seiscentos empregos formais. A produção do setor calçadista caiu 24,3% no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior.
Empresas globais como Nike, Brastemp, Consul, Adidas e Fila já anunciaram encerramentos de unidades produtivas no país. Os responsáveis apontam que as reformas econômicas de Javier Milei aumentaram a concorrência, pressionando fábricas tradicionais.
Fechamento da fábrica da Dass em Misiones: fábricas
A Dass decidiu encerrar sua planta em Eldorado, Misiones, após dezenove anos de operação, demitindo cento e cinquenta trabalhadores. A empresa alegou queda na produção, redução de pedidos e maior abertura de importações como causas da decisão.
Em janeiro, a Dass já havia fechado outra unidade na cidade de Coronel Suárez, ampliando o impacto no setor calçadista. A companhia mantém escritórios em Buenos Aires e centros de distribuição em Coronel Suárez e Cañuelas, mas reduz produção local.
Reestruturação da Whirlpool e transferência para o Brasil
A Whirlpool parou a montagem de lavadoras na planta de Pilar, Buenos Aires, causando duzentas e vinte demissões. Um aporte de cinquenta milhões de dólares foi feito três anos antes. Mesmo assim, a produção foi transferida para Rio Claro, São Paulo, visando maior eficiência.
No Brasil, a empresa aplicou R$ 300 milhões, gerando duzentas vagas de emprego na nova unidade. A Whirlpool continuará atuando no mercado argentino por meio de vendas, distribuição e suporte ao consumidor.
A mudança visa reduzir custos logísticos, aproveitando a proximidade da cadeia de suprimentos sul‑americana ao mercado brasileiro. Analistas preveem que a realocação pode melhorar margens operacionais, beneficiando consumidores com preços mais competitivos.
Encerramento da fábrica da Fate e repercussões no setor de pneus
A Fate, uma das maiores fabricantes de pneus da Argentina, fechou uma unidade em Buenos Aires no início do ano. O fechamento provocou a demissão de novecentos trabalhadores, ampliando a crise de emprego no segmento industrial.
Com mais de duzentas fábricas encerradas, o setor calçadista perdeu cerca de seis mil e seiscentos postos formais. Economistas atribuem o declínio à política de abertura de Javier Milei, que reduziu inflação, impulsionou PIB e aumentou competição.
O governo argentino ainda não anunciou apoio aos trabalhadores dispensados pelas indústrias afetadas. Organizações sindicalistas exigem programas de recolocação e incentivos fiscais para estimular novas oportunidades de emprego.