Cidades

AFASTAMENTO

Corregedoria afasta policial preso em operação contra tráfico internacional

Os investigadores Andrey Elesbão Silva e Douglas Tobias, além do delegado Hoffman D'ávilla, foram alvos na Operação Ifrit

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou compulsoriamente o investigador Andrey Elesbão Silva de suas funções. O policial, que foi preso na quarta-feira (4), durante a Operação Ifrits, estava lotado no Grupo de Operações e Investigações (GOI). 

O prazo do afastamento perdura enquanto Andrey estiver preso. A medida foi assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, Clever José Fante Esteves. O policial foi detido após a 3ª Vara Federal de Campo Grande, com Juizado Especial Federal Criminal Adjunto - TRF 3, determinar a prisão preventiva do investigador.

Andrey Elesbão Silva é um dos três policiais civis afastados e que são investigados por participar de uma complexa organização criminosa, que traficava armas e drogas, com destino à Europa, especialmente Portugal e Espanha. Além dele, o delegado Hoffman D'ávila Candido e Sousa e o investigador Douglas Tobias também foram alvos da operação.

Deflagrada, na manhã de quarta-feira, a Polícia Federal e pela Receita Federal realizou a operação em sete estados e mobilizou 22 auditores-fiscais, 7 analistas tributários e 450 policiais federais.

Após a Justiça Federal de Campo Grande autorizar as medidas judiciais, os agentes foram às ruas para cumprir 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica.

A investigação apura um esquema de tráfico internacional de drogas e armas e corrupção policial que, segundo a PF, movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos.

Alvos em MS

  1. Adel Hassan Haidar
  2. Adule Vasques Haidar
  3. Andrey Elesbão Silva
  4. Bassam Hassan Haidar Ahmed
  5. Brendo Benega Pereira
  6. Bruno Banega
  7. Bruno Leonardo Bergamasco
  8. Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
  9. Daniel Jonatas Ferreira
  10. Douglas Tobias
  11. Eduardo Greco
  12. Fahd Haidar
  13. Hector Salinas Esquivel
  14. Hoffman D'ávila Candido e Sousa
  15. Ireneo Ramom Acosta
  16. João Fernando Andrade de Carvalho
  17. Jorge Adalid Granier Ruiz
  18. José Miguel Vela Caprioli Junior
  19. Mamede Alhaj Haidar
  20. Maroan Fernandes Haidar Ahmed
  21. Nasser Haidar
  22. Pedro Henrique Flores Camargo
  23. Rafael Rodas Neto
  24. Renan Braiana Garcia Presotto
  25. Salazar José Batista
  26. Valdeson Pereira dos Santos
  27. Valter Ulisses Martins Silva
  28. Victor Hugo Santos Queiroz
  29. Vitor da Silva

Grupo movimentou mais de meio bilhão

A organização criminosa era liderada pelo clã da família Haidar, composta por três irmãos, seus filhos e outros parentes, segundo a PF e a RFB. Segundo os órgãos de segurança, as quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático indicaram que o grupo movimentou um valor superior a R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração.

A organização criminosa tinha como principal atividade o tráfico internacional de drogas e de armas de fogo, caracterizada pelo emprego de violência, elevado poder econômico e ampla capacidade logística.

Os recursos teriam circulado por intermédio de contas vinculadas aos investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados utilizados para ocultar a origem e a destinação dos valores.

As análises fiscais conduzidas pela Receita Federal identificaram indícios de mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo "laranjas", ocultação patrimonial e dissimulação de fluxos financeiros, resultados corroborados por monitoramentos, interceptações e outras medidas investigativas.

Estrutrura complexa

De acordo com a PF e a Receita, a organização criminosa possuia elevado grau de estruturação, com atuação transnacional, significativa capacidade financeira e logística para praticar os crimes de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de capitais, corrupção e outros delitos correlatos praticados de forma estável e permanente, ao menos, desde 2018.

As drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru, sendo posteriormente internalizados no Brasil por meio da faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.

Após a internalização, as cargas ilícitas eram distribuídas para diversos municípios do Estado e para outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

As investigações também indicam a utilização do território brasileiro como plataforma logística para armazenamento, transporte e remessa de entorpecentes destinados ao mercado europeu, notadamente à Espanha e a Portugal.

Os elementos colhidos pelas autoridades federais indicam vínculos com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), além da colaboração de agentes públicos que teriam fornecido informações estratégicas e apoio às atividades da organização.

A organização exercia influência em áreas da faixa de fronteira, utilizando armamento de elevado poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones, veículos blindados e estruturas destinadas ao abrigo de integrantes armados.

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