Lidiane Kober
Os membros da CPI da Enersul são contrários à proposta do presidente da Assembléia Legislativa, Jerson Domingos (PMDB). A proposta prevê a devolução dos R$ 191 milhões - arrecadados de maneira irregular pela empresa - em 36 meses em troca do congelamento da tarifa no mesmo período. Caso a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acate a sugestão, os deputados prometeram recorrer à Justiça para assegurar ao consumidor sul-mato-grossense a devolução imediata e em dobro do montante.
O presidente da Casa foi o único que manteve posição favorável ao parcelamento da dívida em 36 meses, em troca da ausência de reajustes no mesmo período. "Amanhã poderemos nos defrontar com um super reajuste para assegurar o equilíbrio financeiro da empresa. A proposta do congelamento deixa de lado essa possibilidade e assegura que a tarifa não irá aumentar em três anos. Neste período, vamos equilibrar o custo do serviço com outros Estados e garantir competitividade na hora de atrair empresas", explicou.
O deputado Marquinhos Trad, que relatou a comissão, chamou a proposta de "engana bobo". Segundo ele, o consumidor perceberá a redução no preço do serviço apenas este ano porque nos demais haverá apenas a estabilização da tarifa.
O deputado Paulo Corrêa (PR), que presidiu a CPI da Enersul, também não quer saber do parcelamento da dívida em 36 meses. Ele foi claro ao afirmar que irá recorrer à Justiça se o parcelamento da devolução ganhar o aval da Aneel. "Vamos ao Ministério Público Federal protocolar ação contra esta idéia", disse.