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Hormônio do estresse pode causar depressão, aponta estudo

Hormônio do estresse pode causar depressão, aponta estudo

Redação

13/07/2008 - 10h15
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        Se for segregado em uma quantidade muito grande, ou durante muito tempo, um dos hormônios que permitem que as conexões entre os neurônios se adaptem em caso de estresse pode ser a causa da depressão, revelam trabalhos com ratos realizados por cientistas franceses.

        Os trabalhos, dirigidos por Laurent Groc, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) francês, e Francis Chaouloff, do Inserm (Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica), foram publicados sexta-feira, na revista "Nature Neuroscience".

        Esses estudos devem permitir aos cientistas identificar novas frentes terapêuticas de ataque nas patologias psiquiátricas, como o estado de estresse pós-traumático, ou a depressão. "Quando nos vemos submetidos a um estresse, nossas glândulas supra-renais segregam hormônios que vão agir em todo o organismo", lembram ambos os pesquisadores.

        Entre esses hormônios, o cortisol (corticosterona nos ratos de laboratório) permite se adaptar ao estímulo, modificando a intensidade de transmissão das sinapses excitadoras, que representam mais de 80% das sinapses.

        Esse hormônio "aumenta a mobilidade dos receptores situados na superfície dos neurônios", o que aumenta a plasticidade das sinapses e permite às conexões sinápticas "se adaptar mais eficazmente às demandas da atividade cerebral", explicam os pesquisadores.

        Pelo contrário, se o estresse for de grande amplitude (de várias horas), ou reiterado, a secreção de cortisol em grande quantidade e de modo durável reduz as capacidades de plasticidade das sinapses. Essa hipersecreção se torna nefasta, "a ponto de acelerar o envelhecimento e facilitar a aparição de doenças, como a depressão".

        Isso se explica, segundo os pesquisadores, pelo fato de que, nesse caso, esse hormônio do estresse aumenta o número de receptores mobilizados no nível da sinapse, diminuindo suas possibilidades de plasticidade.

        "Desse modo, agora, pode-se imaginar que, em alguns indivíduos submetidos a estresse importante, a falta de mobilidade dos receptores contribui para a falta de adaptação", destacam os pesquisadores.

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