Da redação
A CPI dos Grampos na Câmara vota na terça-feira, 15, os requerimentos para a convocação do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). Os pedidos foram apresentados na quinta-feira passada, dois dias depois de Dantas e Nahas terem sido presos pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Na avaliação de integrantes da Comissão, os três requerimentos devem ser aprovados. Como o recesso parlamentar começa, oficialmente, na sexta-feira, e dura 15 dias, a tendência é que, em caso de aprovação, os depoimentos sejam marcados apenas para a primeira semana de agosto.
Neste domingo, porém, o autor dos pedidos de convocação, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse ao Estado que vai trabalhar para que a CPI funcione durante a folga dos parlamentares. "Vou provocar para que a CPI continue funcionando mesmo no recesso. Há precedente", lembrou, referindo-se às CPIs dos Correios, em 2005, e à CPI do Apagão Aéreo, em 2007, que não tiveram suas atividades paralisadas durante o recesso.
Como a convocação, para ser aprovada, tem de estar relacionada com o objeto da CPI, a saída encontrada será questionar o banqueiro Daniel Dantas sobre a contratação da Kroll, líder mundial entre as empresas de investigação, pela Brasil Telecom (BrT). A Kroll é suspeita de, a mando da Brasil Telecom, ter grampeado integrantes do governo, que estariam favorecendo os negócios da Telecom Itália, rival de Daniel Dantas. A Telecom Italia havia passado de aliada a adversária comercial do banqueiro.
Fruet disse que a reportagem publicada na edição de ontem do Estado, e que mostra que Dantas pode ter contratado um coronel da reserva do Exército israelense (ex-funcionário da Kroll)para investigar juízes, só reforça a necessidade de convocação do banqueiro. "É mais um forte indício, o que reforça a necessidade de ele ser ouvido", afirmou.
Já no caso de Nahas, a justificativa para a convocação é sua ligação com a Telecom Italia. Nahas diz ter atuado como consultor do grupo italiano, trabalho pelo qual teria recebido R$ 3 milhões. Em relação a Gushiken, a CPI quer ouvir o ex-ministro pelo fato de ele ter agido, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar aproximação de Dantas com o governo. Na ocasião, o banqueiro disputava com fundos de pensão ligados a Gushiken o controle da Brasil Telecom. (informações do Estadão)