Da redação
O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou hoje a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano. A alta foi a terceira consecutiva e é a maior desde fevereiro de 2003, início do governo Lula. A decisão, unânime e sem viés, já havia sido amplamente antecipada pelo mercado financeiro por causa da piora no cenário de inflação para 2008 e 2009. Por isso, a certeza de uma alta era geral. Só havia dúvida em relação à intensidade do aperto monetário. A aposta majoritária era de 0,5 ponto
"Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,00% ao ano sem viés", diz o comunicado divulgado após o encontro.
A decisão do Copom deve ser interpretada como uma atuação firme do BC nas expectativas do mercado financeiro e da sociedade de que a autoridade monetária não permitirá que a inflação saia do controle. A alta maior foi necessária para minar o repasse do aumento de preços do atacado para o varejo. Os índices divulgados recentemente mostram que os aumentos de preço de produtos no atacado estão girando na casa dos 10%.
Esse "aumento brusco" na taxa de juros tem também o objetivo de se tentar um ciclo mais curto de correção da taxa Selic e, com isso, um menor impacto nos níveis de investimento no País. Ou seja, o Banco Central quer conter a inflação, mas não quer provocar uma recessão. O objetivo é desacelerar o crescimento econômico do patamar de 5,4%, verificado em 2007 para algo entre 4% e 4,5% no próximo ano. (informações do Estadão)