Cidades

Manifesto

OAB pede adiamento para 2028 de mudanças da reforma tributária previstas para 2027

Manifesto assinado pelas 27 seccionais aponta falta de definições e risco de aumento de custos; em MS, entidade cita impactos para pequenos empresários e produtores

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e as 27 seccionais estaduais pedem que as principais mudanças da reforma tributária previstas para 2027 sejam adiadas para janeiro de 2028. A proposta foi apresentada em manifesto assinado na quarta-feira (4), que aponta incertezas sobre as regras e a operacionalização do novo sistema tributário a menos de dois meses do início da próxima etapa.

Entre as alterações previstas para 1º de janeiro de 2027 estão a substituição do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além da instituição do Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

No documento, a Ordem argumenta que o tempo disponível até o fim deste ano é insuficiente para que empresas e contribuintes se adaptem às novas regras. A entidade alerta que uma implementação sem definições claras pode provocar divergências de interpretação, elevar os custos para cumprimento das obrigações tributárias e aumentar a judicialização.

O manifesto também aponta o risco de aplicação de alíquotas elevadas e injustas, com possíveis reflexos sobre a competitividade das empresas, a geração de empregos e os preços de bens e serviços. A OAB afirma que não é contrária à modernização do sistema tributário, mas defende que a transição ocorra com planejamento e segurança jurídica.

Em MS

Em Mato Grosso do Sul, a seccional acompanha o posicionamento nacional. O presidente da OAB/MS, Bitto Pereira, destacou os possíveis efeitos de uma transição mal planejada sobre pequenos empresários, produtores rurais e profissionais liberais.

“Em Mato Grosso do Sul, quem sente primeiro os efeitos de uma transição mal planejada é o pequeno empresário, o produtor e o profissional liberal. A OAB/MS se soma ao Conselho Federal e às demais seccionais porque uma mudança dessa dimensão exige regras claras e tempo real de adaptação”, afirmou.

O calendário atual prevê que 2026 seja um ano de teste da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A partir de 2027, começa a cobrança da CBS e a extinção do PIS e da Cofins. A substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS está prevista para ocorrer entre 2029 e 2032, com vigência integral do novo modelo em 2033.

 

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