Da redação
O ex-paramiliar colombiano Hebert Veloza, conhecido como "H.H", reconheceu ter cometido mais de três mil assassinatos durante os cerca de dez anos em que lutou contra as guerrilhas esquerdistas do país. Em entrevista ao jornal El Espectador da Colômbia, o ex-comandante das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), declarou que mais de 1,2 mil mortes ocorreram em apenas um ano na região de Urabá.
Ele admitiu que morreram "mais inocentes que culpados", mas destacou que "assim é a guerra". Veloza disse ainda que irá revelar o nome de 10 militares colombianos que foram cúmplices dos paramilitares, e pediu que empresários de Urabá respondam por seus atos.
Ao contar sobre seu ingresso nas AUC em 1994, o ex-líder paramilitar afirmou que durante o treinamento o ensinaram a desarticular os corpos das vítimas. "Decapitamos muitas, como estratégia para promover o terror", afirmou Veloza, cuja extradição para os Estados Unidos foi aprovada pela justiça colombiana na semana passada.
"H.H." ingressou nas AUC como patrulheiro e chegou integrar o comando central da organização armada de extrema-direita, combatendo nos Departamentos de La Guajira, Atlántico, Córdoba, todos ao norte do país, e em Valle, no sul. Grande parte das AUC se desmobilizou depois de uma negociação com o governo do presidente colombiano Álvaro Uribe, que ofereceu benefícios judiciais para os guerrilheiros que reconhecessem todos os crimes cometidos e reparassem as vítimas. (informações do Estadão)