Edivaldo Bitencourt
Após a investigação realizada nos últimos 12 meses, o Supremo Tribunal Federal arquivou o inquérito, instaurado para apurar eventuais crimes de corrupção ativa e passiva e financiamento ilegal de campanha, contra o deputado federal Vander Loubet (PT). O ministro Carlos Ayres Britto acatou a recomendação feita pela Procuradoria Geral da República, que recomendou a suspensão do processo em decorrência da falta de provas contra o parlamentar, sobrinho do ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos (PT). Loubet era acusado de receber R$ 200 mil da Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial, do polêmico reverendo Moon, em troca de resolver todas as pendências da entidade no Governo estadual, na época, sob o comando do petista José Orcírio. As acusações foram feitas numa carta escrita pelo advogado David Moura de Olindo, da associação, que foi apreendida em poder da ex-funcionária pública Ivanete Leite Martins durante operação especial da Unidade Integrada de Combate às Organizações Criminosas (Unicoc) em julho do ano passado.
Como o deputado federal tem foro privilegiado, o documento foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que obteve autorização do Supremo para a Polícia Federal investigar o petista. No documento, Olindo descreve reunião no final de 2003, na casa do proprietário de um jornal, com os diretores da Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial, quando foi firmado um acordo para o financiamento da candidatura a prefeito de Campo Grande.
O dinheiro foi entregue em duas ocasiões. Na primeira, conforme a denúncia, R$ 120 mil teriam sido entregues em espécie ao deputado num hotel da Capital. Em outro, R$ 80 mil foram divididos em três lotes, dois de R$ 30 mil e um de R$ 20 mil, e entregues a membros do Governo indicados por Loubet. Há quatro anos, o petista perdeu a disputa para o atual prefeito, Nelsinho Trad (PMDB).