O governo quer forçar os bancos a reservar parte do lucro deste ano para enfrentar o aumento da inadimplência de consumidores - principalmente das classes C e D - que deverá ocorrer nos próximos meses por causa da desaceleração econômica e da alta do desemprego. Com a estratégia, o governo espera afastar o risco de insolvência no sistema financeiro.
Na avaliação da equipe econômica, os bancos tiveram "lucro adicional" com a crise - o que será revelado nos próximos balanços. Boa parte desse lucro veio com a elevação dos spreads das operações financeiras durante a forte restrição de liquidez enfrentada a partir de meados de setembro. Se nessa primeira fase da crise a lucratividade dos bancos cresceu, numa segunda fase o quadro será de problemas provocados pela inadimplência, advertiu importante fonte do governo. O assunto já foi debatido no Planalto, com a equipe econômica.
"Os bancos não podem distribuir esse lucro adicional que obtiveram na crise sob a forma de dividendos aos seus acionistas", alertou uma alta fonte do governo. "Não permitiremos que eles façam isso." Para forçar os bancos a reservar parte do lucro, uma medida em estudo é elevar as provisões aos créditos duvidosos. Os bancos terão de fazer provisões para operações de prazo mais longo.
Com informações do Estadão