Lívia Ferreira
O grupo do senador Delcídio do Amaral vai resistir à pressão e afasta a possibilidade de acordo que dê ao ex-governador José Orcírio dos Santos o comando regional do PT. Assim, o partido caminha para a disputa interna, a exemplo do que aconteceu em 2007.
Sábado, em reunião realizada com Delcídio, foi sacramentada a decisão de que o atual presidente regional do PT, deputado estadual Amarildo Cruz, vai para a campanha à reeleição.
Era tudo o que o governador José Orcírio não queria. Ele tem dito que não tem interesse em concorrer ao Senado e está disposto a deixar o caminho aberto para Delcídio tentar se reeleger. O foco de José Orcírio é voltar a governar o Estado e, para isto, quer ter o controle do partido, o que lhe assegura os votos para sair candidato.
Mas vai ter que vencer a resistência de Delcídio, que já adiantou: não aceita sentar para conversar mediante imposições.
A reunião de sábado fortaleceu as pretensões de Amarildo. "Não existe hipótese nenhuma de eu desistir. Não existe a mínima possibilidade. Sou candidato de qualquer maneira. Sou o mais legítimo dos candidatos", disse o atual presidente. Ele considera "legítimo" o direito de José Orcírio postular a vaga e afirmou não ter qualquer problema em enfrentar o ex-governador no Processo de Eleições Diretas (PED) do partido, com eleições marcadas para 22 de novembro.
Amarildo rebate os argumento do ex-governador de que teria mais tempo para se dedicar ao PT por não ter mandato. "Não foi fácil, mas estou compatibilizando as duas coisas. Não tenho nenhum problema com o meu mandato. O próprio Zeca (José Orcírio) estimulou o sobrinho dele, o Vander (Vander Loubet), que já era deputado federal, a ser presidente do PT."