MARIA MATHEUS
A exigência do ex-governador José Orcírio dos Santos de comandar o PT para concorrer ao Governo do Estado e a resistência do atual presidente regional, deputado estadual Amarildo Cruz, de abrir mão de sua candidatura para viabilizar o consenso, dividem opiniões e agitam os grupos rivais do partido. Os deputado estaduais Paulo Duarte e Pedro Kemp ainda acreditam que pode haver um entendimento depois de muita negociação política.
Mas admitem que o acordo não será fácil devido aos interesses dos grupos rivais pelo comando do PT em Mato Grosso do Sul. O ex-governador José Orcírio dos Santos declarou que abre mão da presidência do partido para articular aliança à sua candidatura ao Governo do Estado. O senador Delcídio do Amaral não aceita discutir a questão quando está sendo imposto por Orcírio a presidência do partido em troca do cessar-fogo e da unidade partidária.
Delcídio não aceita sentar em volta de mesa de negociação com José Orcírio exigindo a presidência do partido. O ex-governador deixou claro que só entra na disputa eleitoral com o partido nas mãos. O senador não aceita isto. Ele está decidido a levar o seu grupo a enfrentar o ex-governador para continuar controlando o PT em Mato Grosso do Sul.
Por isto que os deputados avaliam que uma disputa interna acirrada às vésperas do ano eleitoral vai reduzir o número de representantes do partido no Congresso Nacional e na Assembléia Legislativa. Pedro Teruel, no entanto, reiterou que a disputa pelo comando da sigla é saudável.
"Quem diz que é bom, que oxigena, lorota!", disse Paulo Duarte. "Se fosse outro tipo de disputa, que não envolvesse as duas principais lideranças do partido, o Zeca e o Delcídio, pode ser. Mas essa é uma disputa fratricida, vai enfraquecer o PT, não leva a nada e vai deixar sequelas que vão repercutir no ano que vem", advertiu.