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Prejuízo de empresas com derivativos já é de US$ 30 bi

Prejuízo de empresas com derivativos já é de US$ 30 bi

Redação

08/03/2009 - 10h10
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         AE

         

        Desde que Aracruz, Votorantim e Sadia vieram a público confessar prejuízos gigantescos em operações com derivativos de câmbio, em setembro passado, o mercado tenta descobrir quem mais passou por esse problema e qual o impacto na economia do País. A perda conjunta de R$ 5 bilhões desses três ícones da indústria seria o alerta para mais um poço sem fundo ou apenas casos isolados? Um balanço preparado pelo Banco Central, de acesso restrito à diretoria da instituição, revela pela primeira vez o tamanho do estrago: as empresas brasileiras perderam cerca de US$ 30 bilhões (R$ 71,5 bilhões, pela cotação de sexta-feira).
                
        O levantamento não foi feito para divulgação. O BC fez a conta para checar se havia o risco de o mercado financeiro enfrentar algo como as hipotecas de alto risco (subprime), que arrebentaram a economia dos Estados Unidos. A conclusão foi de que os bancos brasileiros estão a salvo. Já as empresas que tomaram os empréstimos embrulhados em derivativos estão endividadas, muitas delas procurando caminhos para não quebrar. ?Os grandes casos já apareceram. Agora virão à tona histórias menores, mas talvez a implicação seja maior?, diz Ricardo Anhesini, sócio da divisão de auditoria da KPMG.
                
        Há muitas empresas enroladas com derivativos no setor de açúcar e álcool, entre os frigoríficos, os esmagadores de soja, os fabricantes de calçados e na indústria têxtil. Nesses setores exportadores, os derivativos cambiais são usados há muito tempo para proteção contra as oscilações bruscas do dólar, mecanismo conhecido como hedge. Mas no ano passado o produto virou febre e foi oferecido indiscriminadamente no mercado.
                
        Os derivativos foram apresentados como um componente para diminuir os juros pagos nos empréstimos bancários. Enquanto a cotação do dólar ficasse baixa, a empresa pagaria juros inferiores aos de mercado. Caso o dólar subisse, o débito aumentaria. Como esse cenário parecia improvável, para muitos a proposta tornou-se irrecusável. Mas o encanto acabou com a crise financeira global, em setembro. O dólar disparou, levou junto as dívidas e comprometeu a saúde financeira de centenas de empresas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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