Apesar de o presidente Lula pregar a combinação de "ousadia e coragem" no combate à crise e rejeitar contingenciamentos e cortes de gastos, o governo chegou ao fim da semana passada, quando foi anunciado o tombo de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008, montado em duas realidades que desmentem o discurso oficial: os investimentos públicos estão estagnados, após período de crescimento anterior à crise internacional (veja quadro) e, nas conversas internas, a equipe econômica já adota estratégia mais cautelosa, planejando desonerações seletivas e revendo planos de novos subsídios na economia.
O recuo nos investimentos e nas políticas de incentivo ao crescimento é consequência da queda na arrecadação no primeiro bimestre. A crise fez a Fazenda repensar o tamanho da desoneração para o pacote de habitação - um emaranhado de programas já existentes, turbinados com mais recursos -, cancelar negociações para uma política de aviação regional - que previa até subsidiar passagens aéreas - e estudar condicionantes para renovar a redução (e isenção) do IPI de veículos.
Com informações do Estadão