Da redação
Um dos motivos que impulsionam os preços das commodities é o fato de os investidores verem nesses ativos uma forma de "proteção" (hedge) contra a inflação. "Os investidores veem as commodities como uma classe de ativos que oferece hedge (proteção) contra a inflação. É claro que não teremos elevação de preços tão cedo, pois existe uma capacidade ociosa enorme no mundo, mas os mercados de ativos tendem a se antecipar", explica um economista.
Segundo esse profissional, essa busca por proteção é agravada pela desconfiança de que os principais bancos centrais só vão elevar juros e combater pressões inflacionárias quando as principais economias derem sinais consistentes de recuperação, o que ainda pode demorar.
Outro fator é a China que, apesar do menor ritmo de crescimento, voltou a importar commodities como soja e minério de ferro em volume substancial. O governo chinês deu início a uma política agressiva de formação de estoques, aproveitando-se dos preços mais baixos.
Segundo os analistas, um dos objetivos é assegurar matéria-prima para as obras de infraestrutura previstas no pacote de quase US$ 600 bilhões para estimular a economia. O outro é diversificar parte das suas reservadas internacionais, estimadas em quase US$ 2 trilhões.
Grande parte das reservas chinesas hoje são atreladas em títulos da dívida americana, papeis que pagam juros reais negativos e cujos preços tem sido sustentados de forma artificial por meio das compras do Fed. Como os fundos de investimento, a China também está preocupada com o futuro do dólar.
O dólar vem se desvalorizando desde março, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou o pacote de US$ 1,2 trilhão. O índice dólar, que mede o desempenho da moeda americana ante um cesta de divisas fortes, caiu 5,9% desde então Na comparação com real, o dólar já perdeu 13,6% de seu valor desde então.
As moedas de outros países exportadores de commodities, como os dólares australiano e canadense, experimentam ganhos semelhantes "Essa é uma relação direta, especialmente no caso brasileiro, já que as exportações de commodities estão muito associadas à condição da balança de pagamentos", disse o mesmo economista.
O terceiro fator é sazonal. Com o verão nos Estados Unidos, crescem a demanda por gasolina e as ameaças de furacões à produção de petróleo no Golfo do México. O clima nesta época do ano também é vital para a produção agrícola. "Temos poucos grãos no mercado hoje, e os Estados Unidos precisam se uma boa safra. O excesso de chuvas já está atrasando o plantio de milho e pode comprometer o rendimento das lavouras. Além disso, há pouco espaço para perdas na produção de soja", explica Vinicius Ito, analista da corretora Newedge USA, em Nova York.
Para ele, as incertezas do período praticamente inviabilizam uma reversão de tendência ao longo dos próximos três meses. (informações do Estadão)