MARIA MATHEUS
A crise no Senado começou como um problema interno e hoje é uma questão política que pode prejudicar a governabilidade e ter reflexos na sucessão presidencial em 2010. O alerta foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante jantar com senadores petistas na semana passada. Para o presidente, a crise teve origem no embate entre o PMDB e PT na eleição para a presidência do Senado, quando Tião Viana (PT-AC) enfrentou o candidato do Planalto, José Sarney (PMDB-MA).
O temor do presidente é que, às vésperas das eleições de 2010, a oposição assuma o controle do Senado e articule a instalação das CPIs da Petrobras, do DNIT e das Ongs. Além disso, o PMDB não tem um nome para substituir Sarney, em caso de renúncia ou nova eleição. O constrangimento causado pelo afastamento do peemedebista poderia por fim ao casamento entre o PT e o PMDB lulista, liderado por Sarney. O mesmo posicionamento têm a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef e o secretário Gilberto de Carvalho.
"O presidente quer que ele (Sarney) permaneça, primeiro porque o PMDB não tem nome para substituir o Sarney, segundo porque nessa interinidade seria criada uma situação extremamente instável no Senado", disse o senador Delcídio do Amaral (PT-MS).
Em caso de renúncia ou afastamento de Sarney, o tucano Marconi Perillo (GO) assumiria o cargo, ainda que interinamente. "É importante destacar o potencial de confusão da CPI da Petrobras, da CPI do DNIT, CPI das Ongs, que são CPIs que estão dormitando no Senado e que podem vir a tona a qualquer momento", observou Delcídio.
Durante a reunião com os senadores petistas, Lula lembrou que em apenas um dia à frente do Senado, Perillo instalou duas CPIs, conforme informou a coluna do jornalista Cláudio Humberto.