Da redação
Os diálogos entre o empresário Lair Ferst e o representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, comprometem seriamente a Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB) nos casos das operações Rodin, que apurou fraudes no Detran e Solidária, de irregularidades em licitações de obras públicas.
As gravações, tornadas públicas pelos jornais "Zero Hora" e "Correio do Povo", revelam que Yeda sabia de tudo o que estava acontecendo durante a sua campanha e também sobre a fraude de R$ 44 milhões no Detran gaúcho. Além disso, as conversas também indicam que Yeda recebeu R$ 250 mil, por fora, para completar o pagamento da casa que ela comprou por R$ 1 milhão, mas que no contrato consta a quantia de R$ 750 mil.
Esses R$ 250 mil, segundo Lair Ferst, saíram de um total de R$ 400 mil doados por duas empresas fumageiras de Santa Cruz do Sul, Alliance One e CTA, à campanha da governadora uma semana depois da eleição. No diálogo com ele (Lair), Marcelo Cavalcante comenta: "Aí eu fiquei responsável por definir quem ia, arrumar o carro para ir lá buscar. Aí arrumei o carro e tudo mais. E aí colocamos o Alexandre Moreira que é da mais alta confiança também, da campanha, né? E o Alexandre foi lá, eu acho que com o capitão Gustavo".
A coordenadora de comunicação da Alliance, Deise Kanitz, disse que a empresa realizou doação em um processo transparente, que não fere a política da empresa. Um dos diretores da CTA, Allan Bichinho, negou o repasse.
Segundo Lair Ferst, Yeda contou a ele que o grupo do Detran lhe ofereceu propina de R$ 50 mil mensais, mas ela disse que não aceitaria porque achava pouco. Deu a entender que, se não aumentassem a oferta, acabaria com o esquema. Yeda sustenta que pagou R$ 750 mil e que o Ministério Público Estadual não achou irregularidades na negociação.
A ação civil anunciada por seis procuradores da República na quarta-feira lançou o governo de Yeda Crusius (PSDB) na sua maior crise política. Também foram acusados o marido de Yeda, Carlos Crusius, sua assessora especial Walna Vilarins Meneses, o ex-secretário geral de governo Delson Martini, o presidente do Tribunal de Contas João Luiz Vargas, o deputado federal José Otávio Germano (PP), os deputados estaduais Frederico Antunes (PP) e Luiz Fernando Zachia (PMDB) e o tesoureiro da campanha do PSDB em 2006, Rubens Bordini, de participação em irregularidades como "beneficiários, operadores ou intermediários", pediu o afastamento da governadora e o bloqueio dos bens dos envolvidos. Os advogados dos acusados tiveram acesso aos documentos (1.236 páginas) e ainda estão estudando os mesmos para, a partir de segunda-feira, se pronunciarem sobre o caso.
Logo depois do anúncio, os deputados aprovaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa para esclarecer as conexões políticas do caso. O PSOL e FSPE reforçaram os pedidos de impeachment que haviam feito à Assembleia. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan (PT), autorizado pela juíza da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes, teve acesso ao conteúdo da ação civil pública de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra a governadora Yeda Crusius (PSDB) e outros oito demandados, na sexta-feira. Ele decidirá, na segunda-feira, se fará a leitura das
1.238 páginas da petição inicial pessoalmente ou atribuirá a tarefa a um procurador da Assembleia. (informações da Agência Estado)