Mal tomou posse no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro José Antonio Dias Toffoli já provoca danos à imagem da instituição, por conta do patrocínio de R$ 40 mil da Caixa Econômica Federal (CEF) à sua festa de posse, revelado pelo jornal "Folha de S.Paulo". "É claro que é um desgaste para ele e para a instituição também, mas só posso presumir que ele não estava a par disso", observa o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, ao destacar que é comum a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) oferecer coquetéis para saudar a posse de magistrados em tribunais.
"Isto desvaloriza o Supremo, que deveria ser preservado como uma instituição acima de qualquer suspeita", completa o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dos maiores críticos da indicação do Planalto para o STF. Em sua defesa, Toffoli afirma que realmente não tinha conhecimento do patrocínio da CEF à recepção organizada por associações ligadas à magistratura. "A festa não foi iniciativa minha nem do Supremo. Eu fui apenas um convidado", argumenta o ministro, salientando que o evento foi uma "oferta" de várias associações, para homenageá-lo.
Embora Toffoli não seja obrigado a dar explicações aos colegas e o Supremo não tenha que prestar esclarecimentos a nenhum órgão de controle, o ministro Marco Aurélio lembra que o maior questionamento é por parte da sociedade. "Como servidores públicos devemos contas ao contribuinte e esta situação não é algo que o povo aceite", pondera Mello.