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África do Sul está quase pronta para receber a Copa

África do Sul está quase pronta para receber a Copa

Redação

14/11/2009 - 22h30
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        Da redação

        O governo do presidente Jacob Zuma teve de rebolar para convencer os operários a cumprir as metas de levantar os estádios prometidos para a Copa do Mundo de 2010. Em mais de uma vez o nome de Nelson Mandela, o eterno líder dos sul-africanos, foi usado para parar greves e arrancar da opinião pública, e até mesmo de setores da Fifa, a desconfiança sobre a capacidade da África do Sul de dar conta de cumprir as metas estipuladas para organizar o Mundial, o primeiro em continente africano.
        Há menos de sete meses para a bola rolar no Soccer City Stadium, em Johannesburgo, e às vésperas de o mundo conhecer os grupos da disputa - o sorteio das chaves será no dia 4 de dezembro, na Cidade do Cabo (Cape Town), a primeira cidade do país, banhada pelo Oceano Atlântico, com ares de Europa e cujo apelido demonstra sua importância para os sul-africanos, "Mother Africa" (Mãe África, em inglês)" -, o que se vê nas três principais praças credenciadas para a competição (Johannesburgo, Cidade do Cabo e Durban) são trabalhadores a todo vapor dando os últimos retoques nos três mais vistosos estádios do Mundial, novos cartões de visita do país.
        Não há dúvida de que a África do Sul estará pronta para a disputa do torneio de futebol mais apaixonante e charmoso do planeta. A nação de Mandela, de ainda enorme desigualdade social, mas agora onde negros e brancos podem conviver pacificamente (o apartheid, sistema de segregação racial, foi derrubado em 1987), sofreu, mas conseguiu. Vai gastar perto de US$ 2,5 bilhões (R$ 4 bilhões) na construção das cinco novas arenas, feitas exclusivamente para receber o futebol. Os outros cinco estádios reformados para a competição mundial foram erguidos originalmente para os fãs de críquete e rúgbi.
        A experiência sul-africana deve ser encarada como exemplo pelos membros brasileiros do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. O orçamento mais absurdo dos sul-africanos batia na casa de US$ 1,8 bilhão (R$ 2,8 bilhões). O montante foi facilmente superado. As reivindicações dos operários foram atendidas e o orgulho voltou a bater no peito dos sul-africanos. "Esse estádio é a minha casa. Sei que não estarei aqui durante a Copa, mas não deixará de ser a minha casa", disse um dos 2.400 trabalhadores do Soccer City, localizado no distrito de Soweto, a grande favela de pouco mais de 2 milhões de habitantes, negros, e símbolo da resistência ao Apartheid.
        O Soccer City consumiu dos cofres públicos a cifra de 3,4 bilhões rands (a moeda da África do Sul), o equivalente a R$ 850 milhões, nada comparado ao R$ 1,6 bilhão de Wembley, como gostam de comparar os organizadores sul-africanos. Há nele 10 mil toneladas de aço e 9 milhões de tijolos. O estádio, com capacidade para 94.700 pessoas, está 95% pronto. Suas imediações, porém, ainda precisam de grosso investimento. Ao seu redor há um enorme descampado em obras, máquinas, vias de acesso ainda em estado bruto. O Soccer City está ao pé de minas de diamantes - em que a areia dourada reflete ao sol - abandonadas ao norte de Johannesburgo. Receberá oito partidas da Copa, entre elas a de abertura e a finalíssima.
        Também em Jobus (abreviação de Johannesburgo) está o Ellis Park, estádio para 61 mil torcedores, feito para o rúgbi, que a Coca-Cola fincou sua bandeira e cores para o Mundial. Foi lá a decisão da Copa das Confederações, vencida pelo Brasil diante dos Estados Unidos no meio do ano. (informações da Agência Estado)

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