Da redação
Trinta anos depois, o Internacional pode voltar a ser campeão brasileiro neste domingo sob o comando de um dos maestros do time de 1979, o então ponta-esquerda e agora técnico Mário Sérgio. A diferença é que aquele time passou por cima de todos os adversários e manteve-se invicto até as finais, enquanto o atual, apesar de ter largado como favorito, viveu uma série de altos e baixos e depende não só de uma vitória contra o Santo André, às 16 horas, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, como de um tropeço do líder Flamengo contra nada menos do que o Grêmio, eterno rival das lutas domésticas gaúchas.
Na guerra verbal do início da semana, os dirigentes colorados, o treinador e os jogadores pediram "dignidade" aos gremistas e depois optaram pelo silêncio para não alimentar a polêmica e para concentrar forças no Santo André. Para o Internacional, o melhor dos mundos é a vitória no Beira-Rio combinada com tropeço do Flamengo no Maracanã. Mas eles não esquecem que não podem vacilar, porque o pior dos mundos é receber o favor da vitória ou empate tricolor e não comemorar o título porque não venceram seu próprio adversário em Porto Alegre.
Desde a estabelecimento da lei do silêncio, na quinta-feira, só o técnico Mário Sérgio falou. Ele contou apenas que testou diversas possibilidades, todas em torno da ausência do volante Guiñazu, considerado o "motor" do time. A principal delas, mais ofensiva, é a substituição pelo meia Andrezinho, com atribuições de mais funções de marcação a Giuliano. A segunda, mais defensiva, é a escalação do zagueiro Fabiano Eller e a mudança do esquema, do 4-4-2 para o 3-5-2.
A preocupação é não dar espaço aos movimentos de ataque do adversário, que depende de vitória combinada com outros resultados paralelos para escapar do rebaixamento. E também evitar faltas perto da área para não dar chances às mortíferas cobranças de Marcelinho Carioca.
Ao analisar a temporada, Mário Sérgio deu a entender que o Internacional poderia ter feito campanha mais regular e assegurado o título "com facilidade" se tivesse conseguido segurar o volante Magrão e o atacante Nilmar no time.
O rendimento do Internacional caiu depois da transferência dos dois para o exterior, na metade do ano, e só foi recuperado na reta final, quando o time colorado venceu o Santos, o Atlético Mineiro e o Sport em sequência e se candidatou a lutar pela liderança na última rodada. Apesar da observação, o treinador não criticou a direção do clube por entender que ela tem razões administrativas para permitir a saída de jogadores. (informações do Estadão)