Cidades

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O mecânico que salvou famílias em bairro alagado

O mecânico que salvou famílias em bairro alagado

Redação

27/12/2009 - 08h30
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        Da redação

        O mecânico aposentado paulistano Cristóvão de Oliveira, de 47 anos, não descansa desde o dia 8. Durante o tempo em que a reportagem esteve com ele, seu celular não parava de tocar. Morador do Jardim Helena, zona leste de São Paulo, há 30 anos - sua casa fica na Chácara Três Meninas -, ele se tornou um líder comunitário informal quando o bairro alagou. Foram atingidas diretamente 330 famílias, que precisaram ser retiradas de suas casas.
        "Na madrugada do dia 8, vi as pessoas passando na rua com colchões e o que mais conseguiam salvar", lembra ele, cuja casa se situa a uma quadra da área que ficou cheia d?água. "Então corri para lá e ajudei a tirar as crianças, os idosos e os deficientes. Só conseguimos enxergar o tamanho do problema quando o dia clareou", conta Oliveira.
        Membro das pastorais sociais de duas igrejas católicas das redondezas, Oliveira começou a centralizar as doações às vítimas da enchente. "Os padres mobilizaram muita gente, pessoas que se prontificaram a trazer alimentos, roupas e todo tipo de ajuda."
        Ele calcula que só por sua casa - onde vive com a mulher, um casal de filhos e a sogra - tenham passado mais de 800 quilos de alimentos e uma quantidade de roupas que poderia encher um caminhão. "Eu sei quem está na água e quem mais precisa. Então distribuo", explica. Ele não poupa críticas, entretanto, ao trabalho que a Prefeitura vem realizando ali. Na sua opinião, falta interesse político em ajudar uma população desfavorecida socialmente. "Ninguém quer construir casas populares para essa gente."
        Para "continuar defendendo as pessoas mais pobres", ele - que tem 2º grau completo, o atual Ensino Médio - planeja cursar faculdade de Direito. "Quem sabe viro juiz", vislumbra. "Assim poderei fazer algo contra as injustiças. Porque o que vejo me dói."
        Enquanto isso, sempre que consegue uma pausa no trabalho voluntário de auxílio às vítimas da enchente, ele se lembra como era o bairro três décadas atrás. "Não tinha esse monte de casa, esse monte de gente", diz Oliveira, recuperando a imagem de sua memória. "Era um pasto bonito, com uma lagoa e uns pés de jatobá " (informações do Estadão)
        
        

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