Cidades

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Cerca de 500 pessoas tiram sustento do lixo

Cerca de 500 pessoas tiram sustento do lixo

Redação

22/02/2010 - 03h53
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O que faz com que o lixão de Campo Grande esteja apinhado de pessoas em busca de materiais recicláveis e toda sorte de produtos que podem ser encontrados? Considerado por muitos um local de miséria, na verdade, o lixão gera renda bem acima da média para famílias que ali não têm rotina, não têm patrão e se organizam conforme os interesses de cada um dos catadores. São pessoas com histórias e sonhos diferentes, que encontraram no lixo o sustento familiar. Os dados da Prefeitura de Campo Grande apontam que são cerca de 300, mas os números reais, apesar de imprecisos, mostram quase o dobro. “Não temos como contar o real número, aqui não temos essa organização, e cada um vem o dia e a hora que quiser. Sabemos que são mais de 500 pessoas que vivem diretamente do lixo”, explica Rodinei Maciel, que trabalha no lixão há 15 anos. Para eles, falta união dos catadores. “A desorganização dos catadores é o nosso problema”. Todos querem algo mais organizado, mas ninguém quer tomar a frente. Nos depoimentos, é possível perceber a indignação de algumas pessoas com a situação de ter de depender do lixo para viver. “Aqui é o depósito dos excluídos. Tem muita gente que está aqui porque dá dinheiro, mas outros porque não tiveram escolha mesmo”, relata uma catadora. “Todo mundo aqui tem nome, mas nem todos querem ou podem falar, nunca sabemos qual a real intenção de vocês”, completa uma das pessoas, que não quiseram conceder entrevista. Aparecer na imprensa é ao mesmo tempo medo e vontade. “Temos vontade de contar que não somos o que pensam, não ganhamos uma miséria nem somos também lixo. Mas temos medo por saber que represálias podem acontecer e muitos aqui, se ficarem sem isso, não têm mais nada na vida”, conta uma das trabalhadoras. (LBC)

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