Da redação
Em reunião da Executiva Estadual na quinta-feira, o PT reafirmou a intenção de lançar candidatura própria ao governo de Minas e antecipou o prazo de inscrições para os candidatos à vaga - será de 22 de março a 5 de abril. Diante do fortalecimento da pré-candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), o PT mineiro procura agora ganhar tempo e tentar recuperar terreno na disputa pela indicação do candidato da base aliada ao Palácio do Planalto no Estado.
O diretório regional aprovou por consenso a criação de uma comissão para buscar um acordo entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, ambos pré-candidatos petistas. O objetivo é tentar resolver as rusgas internas e apresentar um candidato único, com apoio de toda a legenda, na costura com o PMDB e o PRB do vice-presidente José Alencar.
Pimentel e Patrus travam uma disputa interna desde a eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, quando o ministro rejeitou a aliança do ex-prefeito com o governador Aécio Neves (PSDB). Desde então, os aliados dos dois pré-candidatos empreenderam uma briga fratricida. A constatação é que se o PT mineiro não estiver minimamente unido, Costa - líder nas pesquisas de intenção de voto - consolidará sua candidatura. O ministro peemedebista tem a seu favor a prioridade dada à aliança nacional dos dois partidos em torno da candidatura à Presidência da ministra Dilma Rousseff .
Embora o Diretório Nacional tenha aprovado uma resolução recomendando às seções estaduais que evitem prévias para a escolha de candidatos aos governos e ao Senado, o PT de Minas estabeleceu os dias 2 e 16 de maio para a realização das primárias, caso o "diálogo não avance".
Como a tese do palanque duplo encontra forte resistência, tendo sido bombardeada pelo presidente Lula, petistas e peemedebistas já concordam com uma candidatura unificada e acertaram que o candidato será definido com base em pesquisas quantitativas e qualitativas.
No documento aprovado na quinta, o diretório mineiro fala em determinação de ter um candidato próprio filiado ao partido, em "oposição ao projeto neoliberal" expresso pela candidatura do vice-governador Antônio Anastasia (PSDB). "Tal determinação não expressa qualquer tipo de restrição a possíveis candidatos filiados a legendas aliadas ou qualquer pretensão do PT de ser hegemônico", diz a resolução. De acordo com a resolução, porém, as eventuais candidaturas de Patrus e Pimentel têm mais capacidade de crescer ao longo da campanha eleitoral.
Com referências dúbias, o texto não deixa de lembrar que "a construção da vitória exige atitudes determinadas e firmes, acompanhadas com as necessárias doses de desprendimento, de concessão, de acolhimento alheio". Cita a união com Costa e Alencar, mas confia que o próximo governador de Minas será um petista. (Do Estadão)