Ao contrário de estados vizinhos, em Mato Grosso do Sul em nenhuma estrada foi feita a alteração, sob a alegação de que as condições de tráfego não permitiam. Porém, qualquer motorista que cruze a ponte Ayrton Senna, em Mundo Novo, e entra no Paraná percebe que as condições das pistas são exatamente iguais às de MS, com a diferença de que do lado de lá do Rio Paraná os carros de passeio e ônibus podem trafegar em velocidade superior sem risco de os motoristas serem multados. Quem sai de MS e entra em Goiás, então, leva dois sustos. O primeiro é com a má qualidade das rodovias, tanto estaduais quanto federais. O segundo, é que as raríssimas placas de sinalização existentes permitem até 110 por hora.
Não se trata de defender que os motoristas devam disparar irresponsavelmente nas estradas. Porém, certamente nove em cada dez condutores circulam em velocidade superior a 80 por hora. Até mesmo as viaturas da Polícia Rodoviária Federal ultrapassam e simplesmente somem na frente daqueles que resolvem respeitar o limite estabelecido nas placas por temor de serem multados quando veem um carro com as tradicionais cores azul-marinho e amarela. E, a própria polícia rodoviária reconhece que trafegar em 100 ou 110 por hora é seguro. Atesta, ainda, que os altos índices de acidentes devem-se, principalmente, à imprudência, inexperiência e a velocidades bem superiores a essa.
Finalmente, porém, o Denit mostrou-se disposto a acabar com esta hipocrisia e alterar o limite na BR-267, entre Nova Alvorada do Sul e Bataguassu, que está passando por amplo processo de melhorias, para até 100 por hora. Mas, se as próprias autoridades reconhecem que praticamente na totalidade das demais rodovias são pouquíssimos os que respeitam e que não há risco, simplesmente não existe explicação para que sejam mantidas as velhas placas. A não ser, é claro, que exista o claro objetivo de aplicar multas. Porém, os dados indicam que não deve ser este o caso, pois, em média, apenas mil punições são aplicadas mensalmente por conta desta irregularidade, pois, a fiscalização faz vistas grossas aos excessos e nem mesmo adota radares nos locais com movimento não muito intenso.
Então, a inoperância deve ser a explicação mais racional para o Estado inteiro ter parado no tempo, pois nas rodovias estaduais, inclusive naquelas em boas condições de tráfego, existe este limite. Autoridade alguma sabe explicar as razões e nenhuma delas defende esta medida. Enquanto isso, milhares e milhares de condutores ficam sem saber o que fazer e ao ignorar esta sinalização acabam desacreditando nas demais, o que é um grande risco para a segurança.
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