Diversos órgãos públicos, que estão criando uma espécie de força-tarefa, prometem ser rigorosos no combate aos incêndios, principalmente aplicando multas a propriedades nas quais forem constatados focos de queimada. Multa, embora seja uma das armas necessárias, só é aplicada quando o dano já foi provocado. Mesmo assim, ela ajuda a intimidar novas ocorrências. Porém, é sabido que grande parte das queimadas tem autoria desconhecida, pois são vizinhos que, incomodados com o mato que cresce nos terrenos baldios, apelam à saída mais rápida e simples.
Conforme especialistas em doenças tropicais, é nestas mesmas áreas sem edificações que se concentram os maiores focos de proliferação do mosquito transmissor da dengue, doença que neste ano “derrubou” em torno de 30 mil campo-grandenses e matou pelo menos oito. Ou seja, estas áreas são problema de saúde pública praticamente o ano inteiro. Por isso, é estranho que somente nesta época seja criado grupo especial para coibir abusos. Se os órgãos públicos fossem eficazes para exigir o devido cuidado ao longo do ano todo, os efeitos nos postos de saúde seriam perceptíveis também ao longo dos 12 meses do ano.
Está mais do que claro que a manutenção das áreas particulares depende, principalmente, do grau de consciência de seus donos. Por isso, as autoridades têm razão quando atribuem a responsabilidade aos proprietários desleixados. Porém, a irresponsabilidade de alguns acaba prejudicando um sem-número de cidadãos que cumprem religiosamente com seus deveres. Por isso, cabe ao poder público o dever de colocar estes irresponsáveis nos eixos. Há quase dois anos foi instituído na Capital o IPTU progressivo, que prevê a cobrança de pesados impostos sobre terrenos baldios e imóveis abandonados. Inicialmente a cobrança começaria pela área mais central e mais adiante seria estendida à periferia. Porém, até agora esta cobrança não saiu do papel e ninguém sabe quando isto acontecerá.
Além disso, milhares e milhares de casas estão sendo construídas em conjuntos habitacionais feitos pelo poder público em terrenos afastados da região central. Com isso, enormes vazios urbanos surgem entre a área central e esses novos residenciais. E, são nesses vazios que surgem as queimadas e os criadouros de mosquitos que transmitem dengue, leishmaniose e outras doenças.
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