Surpreendentemente, contudo, a prefeitura da Capital está deixando claro que tem dinheiro sobrando. Pretende desapropriar área de quase 22 hectares nas imediações da nova rodoviária, a qual será doada para duas dezenas de empresas de ônibus que fazem linhas intermunicipais e interestaduais. O argumento principal é retirar da região central da cidade os veículos, já que as garagens estão espalhadas em diversos bairros e também no centro. A "cidade dos ônibus" significará economia significativa para as empresas, que poderão unificar diversos serviços de manutenção, segurança, abastecimento, limpeza e uma infinidade de outros. Além disso, as compras poderão ser unificadas, o que dará forte poder de barganha, principalmente na aquisição de combustíveis. Se estes prováveis ganhos serão revertidos em congelamento de passagens, só o tempo dirá. Porém, seria algo absolutamente inusitado.
Que as empresas têm total direito de montar este condomínio, como já existe em outras cidades, disto não restam dúvidas. Porém, há necessidade de o poder público, leia-se contribuintes, comprar um terreno e conceder incentivos fiscais milionários para estas empresas? Algumas delas pertencem a um dos maiores grupos econômicos do País, que explora principalmente o transporte coletivo urbano e o transporte aéreo de passageiros de norte a sul. E, mesmo as demais, todas têm plena saúde financeira e totais condições de fazer esta mudança de endereço por conta própria. Além disso, se estes incentivos fiscais resultassem em aumento na geração de empregos, o "empurrão" seria um pouco menos estranho. Porém, a tendência é de que haja dezenas de demissões, o que joga por terra o principal argumento para concessão de benesses fiscais. Ou seja, ao que tudo indica, a Prefeitura de Campo Grande, em mais uma negociação encabeçada pelo vice-prefeito, como ocorreu no caso da aquisição de carne de avestruz e de boi orgânico para a merenda escolar, está prestes a cometer mais uma insanidade cujos objetivos somente o proprietário da área desapropriada, os donos de empresas de ônibus e o representante da municipalidade conhecem.
Expansão Comercial
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Inspeção surpresa
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